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:: COLUNA DO MUNDO ::
A vida tem cada coisa...
por Mário Nóbrega


1 – Domingo passado, após o final do jogo entre Portugal e a Sérvia, de apuramento para o Europeu com palco em França, no próximo ano, quando me aprestava para ouvir Ilídio Vale fazer o seu comentário ao que se passara no relvado, durante os 90 minutos, uma vez que foi ele quem se sentou no banco do seleccionado luso, eis que vejo Fernando Santos sentar-se frente aos jornalistas para a realização da habitual conferência de imprensa. Fernando Santos, porquê? Mas ele não viu o jogo de um dos camarotes do Estádio da Luz, por estar a cumprir o castigo que lhe foi imposto pela FIFA? Fiz estas perguntas em voz alta, incapaz de segurar a minha incredulidade. E um amigo meu, à minha ilharga, disse, como que a responder às minhas interrogações: «Eu queria ver, caso Portugal tivesse perdido, se ele também ia à conferência de imprensa.» Talvez sim, talvez não, pois, não sei. O que eu sei é que Fernando Santos desrespeitou Ilídio Vale. Isso eu sei. Como também sei que, sendo seu amigo há longos anos, ainda ele não passava de um projecto de treinador, não esperava este seu comportamento. Há erros que, mais tarde ou mais cedo, se pagam caro. Talvez este seja um deles...

2 – Adorei ver o 107.º penteado de Cristiano Ronaldo, domingo, no Estádio da Luz. Julgo, aliás – e darei a mão à palmatória se estiver errado –, que muitos portugueses, quando se aprestam para ver um jogo do Real Madrid ou da Selecção Nacional, a primeira pergunta que fazem é: qual será hoje o penteado do Cristiano? Dizem-me que penteados assim – verdadeiras obras-prima só ao alcance de predestinados para o exercício desta actividade agora a deslizar na crista da onda – levam horas a ser executados. Para quem trabalha duas horas por dia e ganha o que ele ganha, esse é bem capaz de não ser um problema para o famosíssimo internacional português.

3 – Ainda no domingo, cerca de duas horas antes do pontapé de saída para o Portugal-Sérvia. Estava eu em ascensão numa das escadas rolantes do Oeiras Parque, quando, vá lá saber-se porquê, olhei para trás. Os meus olhos bateram no rosto de António Saraiva. Vou fazer-lhe duas perguntas, pensei. Estas: como é que alguém que foi membro de uma Comissão de Trabalhadores da Lisnave é hoje presidente de uma associação patronal chamada Confederação da Indústria Portuguesa (CIP)? O que é que, entretanto, perdeu pelo caminho? Mas, depois, não as fiz. E, depois, arrependi-me de as não ter feito.

4 – Domingo não houve apenas o Portugal-Sérvia. Houve também, por exemplo, eleições na Madeira. Já o dia se despedia para dar lugar ao seguinte, segunda-feira, quando comecei a ouvir – e a ver – os comentários dos partidos concorrentes aos resultados saídos das urnas. O PSD estava satisfeito porque alcançou a maioria absoluta; o CDS-PP estava satisfeito porque elegeu sete deputados; o JPP estava satisfeito porque elegeu cinco; o BE estava satisfeito porque elegeu dois; a CDU estava satisfeita porque aumentou o número de votantes; o PND estava satisfeito porque tem também uma voz na assembleia regional; a coligação PS-PTP-PAN é que não, porque fracassou em toda a linha. Mas quem verdadeiramente ganhou estas eleições foi a abstenção, ao fixar-se em 50,28%. Só que não lhes interessa falar – muito menos analisar principalmente em profundidade – sobre aquela que é mais uma perigosa derrota da democracia. E enquanto assim continuarmos...



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