Linha Desportiva
Adicionar aos Favoritos Adicionar aos Favoritos
:: COLUNA DO MUNDO ::
"Gente do Alto":
ainda os há mas,
são cada vez menos
por Lobo Pimentel


1.Jan.19 - “Gente do Alto”, como Wilson Brasil referia na sua cerimónia de entrega de “Os Gandulas”, evento que tinha o apoio da “Gazeta dos Desportos”, jornal que no início dos idos anos 80 foi uma saudável ‘pedrada no charco’ nos media desportivos nacionais, um título que ocupou o lugar do então extinto “Mundo Desportivo”, cerimónia que juntava nomes grandes do Desporto, dos atletas aos dirigentes, dos clubes aos jornalistas, hoje tão escassos nas redacções que, se calhar, contam-se pelos dedos de duas mãos.

Tenho alguma dificuldade em ver e ler a comunicação social que nos dias de hoje nos entra porta adentro, quer pelos jornais, quer pelas televisões e pela rádio, na sua grande maioria, apenas é seguida nas viagens de automóvel, os nomes sonantes na imprensa, que ainda existem, estão praticamente quase todos afastados, um ou outro ainda resiste numa comunicação social que nos dias de hoje pouco ou nada tem a ver com a que existia há duas dezenas de anos - dirigida e chefiada por jornalistas com J grande, e não por meros fazedores de notícias a contento de interesses instalados, quer políticos, quer desportivos.

Ainda os há, mas são tão poucos, que acabam por ser ‘engolidos’ por uma mão cheia de titulados como jornalistas por uma qualquer universidade, que não conseguiu ocupar o que em tempos era a verdadeira escola de jornalismo, as redacções, onde os mais novos aprendiam não só a profissão mas também uma coisa chamada ética – hoje tão arredada da maioria dos que fazem parte das redacções.

Desapareceram grandes títulos onde pontuaram grandes nomes, os que eram e foram as grandes escolas de jornalismo deste País e que tive o privilégio de pertencer: o “Diário de Lisboa”, de Norberto Lopes, Mário Neves, Raul Rego e com Neves de Sousa no Desporto, vespertino onde comecei a dar os primeiros passos em meados dos anos 60, seguiu-se “A Capital”, jornal que reiniciei a profissão após a vinda do serviço militar no Ultramar, “O Século”, matutino em que vivi o 25 de Abril 1974, o 25 de Novembro de 1975, que fechou portas em 18 de Fevereiro de 1977 e que marcou uma época na minha vida profissional, pois permitiu-me colaborar para grandes títulos internacionais como o alemão “Stern”, o brasileiro “Manchete” e o italinano “Guerin Sportive”, depois foi a vez de entrar na redacção de “A Luta”, dirigida por Raul Rego e Vítor Direito, o “Mundo Desportivo” e “Diário de Notícias”, que coabitei na redacção com Diniz de Abreu, Fernando Pires, Mário Mesquita, António Castro, Rodrigo Pinto, entre outros.

O “DN” ainda resiste mas deixou de ser grande, tal como outros que ainda estão nas bancas nos dias de hoje e que fiz parte dos quadros redactoriais, como o “Correio da Manhã” de Vítor Direito e Carlos Barbosa, e a “Gazeta dos Desportos” de Joaquim Queirós, estes dois últimos em que voltei a trabalhar lado a lado com Neves de Sousa, “A Bola” com Joaquim Rita e Santos Neves, “O Jogo”, por duas vezes (no antigo e no actual), entre outras publicações como a revista "Motor", a “Foot” e “O Golo”, o "Semanário Desportivo", para além de colaborações com as publicações da UEFA e FIFA.

Um trajecto profissional ao longo de mais de 40 anos que, após a reforma, prossegui até aos dias de hoje no meu “Linha Desportiva”, que tudo somado vai para 56 anos, e com a notícia neste final de 2018 que mais um grande senhor do jornalismo nacional acabou de nos deixar: o actual detentor da Carteira Profissional número 1, o Carlos Veiga Pereira.



voltar

 
 
 
Arquivo - Opinião
 
 





Linha Desportiva
Linha Desportiva | Ficha Técnica | Registo ERC nº 125284 | Direcção: Lobo Pimentel | CONTACTOS | Design & Desenvolvimento: ST Collective Copyright © Todos os direitos reservados