Linha Desportiva
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Pela boca morre o peixe


Linha desportiva

1 – «Não duvido que a maioria do povo português está em festa, mas também sei que há uma pequena minoria triste. Acredito que a esta hora já estarão a afiar facas e a comprar cachecóis da República Checa.» É preciso saber ganhar e é preciso saber perder. O seleccionador nacional não esteve à altura do seu cargo ao fazer esta afirmação, minutos depois de ter terminado o Portugal-Holanda. A crítica, desde que não seja ofensiva e gratuita, é um exercício de liberdade quando se vive em democracia. Para desempenhar o cargo que presentemente ocupa, Paulo Bento tem de perceber que não chega ser-se entendido em futebol, a sua responsabilidade profissional ultrapassa o espaço rectangular delimitado por quatro linhas desenhadas a cal.
2 – E, já agora, goste ou não Paulo Bento, assumo que me desagradou a passividade da Selecção Nacional frente à Holanda, aliás à semelhança do que se lhe vira no jogo com a Alemanha, até Van der Vaart ter batido Rui Patrício. A expectativa – eu ia chamar-lhe deferência –, quando é demasiada, e às vezes sem justificação para isso, pode tornar-se fatal. Paulo Bento tem o legítimo direito de fazer as suas opções tácticas e estratégicas, mas, lá está, não pode quedar-se imune às críticas. Que é aquilo que eu estou assumidamente a fazer.

3 – Finalmente apareceu Cristiano Ronaldo no Europeu! Mas a Selecção Nacional não pode estar dependente de Cristiano Ronaldo como um drogado o está de um estupefaciente. Cristiano Ronaldo que esteve também muito bem fora das quatro linhas ao afirmar que «foi um prazer receber este troféu (o de melhor jogador do Portugal-Holanda), que para mim é em nome da equipa, porque se não fosse ela eu não o teria ganho.» Ou seja, na hora do apuramento garantido, não enveredou por determinado caminho...

4 – Ponto final na fase de grupos. Quem diria que a Rússia ia para casa depois de ter ganho o primeiro jogo frente à República Checa por 4-1? Quem diria que a Holanda, num caso inédito no seu brilhante historial, ia para casa sem um único ponto nas suas contas?

5 – Michel Platini, presidente da UEFA, fez uma confissão: gostava de ver a Alemanha e a Espanha na final do Europeu. Um desejo leviano que se sujeita a várias interpretações, nada agradáveis para Michel Platini, presidente da UEFA. E, aqui chegado, recordo-me que à mulher de César não lhe bastava ser séria, tinha também de o parecer. Depois, senhores como estes, que desempenham cargos de mais alta responsabilidade, mostram-se profundamente desagradados e ofendidos quando alguém diz que, por vezes, dentro das quatro linhas, o jogo de interesses sobrepõe-se ao jogo de futebol.

Linha política

Ponto único – O senhor que se senta, em Belém, no cadeirão da presidência da República, tem duas caras. Quando, a espensas do erário público, ou seja, dos bolsos dos portugueses, anda pelo País em visitas oficiais, mostra-se sempre preocupado com o constante aumento do número de desempregados, mas agora, no recato do palácio que lhe serve de moradia, promulgou a nova lei do Código do Trabalho, a qual mais não visa que a liberalização dos despedimentos, seguindo à risca as exigências de um neoliberalismo económico tragicamente selvagem. Porque, justificou o senhor que se senta, em Belém, no cadeirão da presidência da República, «não lhe detectou inconstitucionalidades.» Para além de estar a precisar urgentemente de óculos, o senhor que senta, em Belém, no cadeirão da presidência a República, é um prestimoso vendedor de banha-da-cobra ao serviço do Governo.

André Ricardo

 
Que sejam onze
já frente à Holanda



1 – Pressão. É esta a palavra que mais se tem ouvido desde que a Selecção Nacional deu o seu pontapé de saída no Europeu frente à Alemanha. Segundo Paulo Bento, todos – principalmente a comunicação social – pressionam Cristiano Ronaldo, mas Cristiano Ronaldo é o primeiro responsável pelo desencadear desta situação por ter afirmado a um jornal inglês que, na equipa das quinas, «sou eu e mais dez.» Agora, sempre que se vêem perante determinadas circunstâncias, os companheiros passam-lhe a bola e dizem-lhe com essa frequente opção: «Toma lá, resolve.» E Cristiano Ronaldo sente as responsabilidades nos seus ombros como se estas pesassem chumbo. E, como reflexo desse seu estado psicológico a descambar para o abúlico, já não lhe acerta nem de bico. Espera-se, diante da Holanda, que a Selecção Nacional passe a jogar com onze.

2 – A selecção da Holanda é a grande surpresa, pela negativa, deste Europeu. Dois jogos, outras tantas derrotas. Uma realidade que não passava pela cabeça de ninguém antes da competição começar. Já agora, que a laranja mecânica não desemperre o seu futebol no jogo frente a Portugal.

3 – Os adeptos da República da Irlanda deram uma lição ao mundo do futebol. Explicaram, com os seus cânticos de incentivo à sua selecção, quando esta já perdia por quatro golos sem resposta com a Espanha, o que é o verdadeiro fair-play. A UEFA bem podia fazer alguma coisa de útil por este exemplar comportamento desportivo. Foi para mim, até agora, o momento mais marcante deste Europeu.

4 – Adrien não tem lugar no Sporting porque no Sporting há gente demasiado mesquinha. E na sua triste mesquinhez acha que é dona das palavras dos outros. Se Adrien tivesse dito, antes da final da Taça de Portugal, que gostava que fosse o Sporting a ganhá-la... Mas não disse, esteve profissionalmente correcto, exemplar. Mais uma situação a mostrar que algo não anda bem por Alvalade.

5 – Logo após se ter demitido do cargo de vice-presidente do Conselho Directivo do Sporting, Paulo Pereira Cristóvão foi ouvido durante mais de oito horas por um juiz de instrução do Ministério Público, que, entretanto, divulgou uma nota confirmando que o ex-dirigente está indiciado por cinco crimes: denúncia caluniosa, devassa da vida privada através da informática, burla qualificada, peculato e branqueamento de capitais. Surpreende-me – mas poderá tratar-se apenas de mera coincidência – a rapidez entre a saída de Alvalade e a entrada no Ministério Público.

6 – Lance Armstrong arregalou os olhos do globo terrestre com as suas sete vitórias na Volta à França, a mais importante e carismática competição do calendário velocipédico mundial. Passei a admirá-lo, também pelo facto de ter vencido, com determinação e coragem, uma outra prova que colocou em risco a sua vida. Agora, a agência antidopagem dos Estados Unidos da América (USADA) abriu um processo contra ele, considerado o melhor ciclista de sempre. Em causa está a utilização de drogas capazes de aumentar o rendimento desportivo. Fico a aguardar. E naturalmente a desejar que Lance Armstrong não se transforme, para milhões de admiradores, num ídolo com pés de barro.

André Ricardo

 
Cuidado com as distracções!


Linha desportiva

1 – A Selecção Nacional partiu para a Polónia mas partiu de barriguinha cheia. A comitiva portuguesa, poucas horas antes de se fazer aos céus a caminho do Europeu, foi recebida com pompa e circunstância na Fundação Champallimaud, de onde não saiu sem ter sido banqueteada com um opíparo almoço. Gesto que não deixou de dar um jeitão aos bolsos dos seus jogadores, eles que tão preocupados andaram a discutir os prémios de jogo...

2 – A oito dias de fazer a sua estreia no Europeu, Paulo Bento decidiu proceder a uma série de substituições na Selecção portuguesa no jogo frente à sua congénere da Turquia, para demonstrar ao país que tem a máxima confiança em todos os jogadores que convocou para a prova máxima de representações nacionais do velho continente. Mas Paulo Bento só quis transmitir essa imagem quando percebeu que a equipa das quinas se mostrava incapaz de dar a volta a um resultado que nada, mas mesmo nada – deixemo-nos de conversa fiada –, a moralizou para o compromisso com a Alemanha, que vai definir, e muito, a sua participação na prova.

3 – Tenho em atenção a entrevista que Cristiano Ronaldo deu a um jornal inglês. Que, na Selecção Nacional, era ele e mais dez. E fico na dúvida se a preocupante derrota diante da representação da Turquia não terá sido a primeira factura dessas palavras fracturantes de um jogador que, renda o que render, está intocavelmente em campo do primeiro ao último minuto de cada jogo. Eu bem vi a cara – e os gestos – de Raul Meireles quando foi substituído...

4 – O Polónia-Grécia marca o pontapé de saída do Europeu. Vai ser um mês de futebol ao mais alto nível e a equipa liderada por Pedro Passos Coelho esfrega as mãos de contente. É por isso que os portugueses, embora logicamente atentos ao que se vai passar nos estádios da Polónia e da Ucrânia, não devem distrair-se... minimamente. É preciso continuar com um olho no burro, um pé na corda, e outro olho... no Governo.

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1 – Um indivíduo que dá pelo nome de António Borges defendeu, em declarações a um canal televisivo – eu vi –, que os salários deviam ser reduzidos em Portugal, justificando essa declaração de guerra aos trabalhadores – mais uma – com a argumentação de que se trata de uma «medida patriótica» que os portugueses facilmente entenderão. Este indivíduo que dá pelo nome de António Borges ganhou em 2011, como consultor do FMI, 225 mil euros, livres de impostos. Ainda de acordo com o jornal Correio da Manhã, este indivíduo que dá pelo nome de António Borges – repito três vezes o seu nome que é para os portugueses, na hora do ajuste de contas, não se esquecerem dele –, depois de ter sido posto na rua, por incompetência, pelo FMI, é agora consultor do Governo liderado por Pedro Passos Coelho e administrador da Fundação Champallimaud e da Jerónimo Martins.

2 – Os abutres da troika andaram por cá mais uma vez. E é garantido que nunca se vão embora sem meterem a mão nos bolsos dos portugueses, naturalmente através do obediente Governo liderado por Pedro Passos Coelho. Ou será por Miguel Relvas? Agora ameaçam-nos com um aumento no preço das inspecções aos automóveis. É um fartar vilanagem!

3 – Um esclarecimento prévio, para não haver confusões: não sou fumador. A mando da União Europeia – toda a gente manda em nós, só nós é que não mandamos em nós próprios –, o Governo prepara-se para decretar a proibição do acto de fumar em qualquer espaço fechado. A restauração já estava à beira do abismo, agora querem empurrá-la pelas costas para dar um passo em frente. Dizem os sacrificados governantes de cá do burgo que é preciso olhar pela saúde dos portugueses, mas no entanto, através de um olhar vesgo para o exercício da democracia, mandam às malvas a saúde dos portugueses com a miséria que estão a fomentar no país. Ó gente mais hipócrita! E quando é que os portugueses lhes tratam da saúde?

André Ricardo

 
Eu bem me queria rir...


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1 – A argumentação apresentada por Paulo Bento, para justificar a não inclusão de Hugo Viana no lote dos 23 jogadores seleccionados, e a argumentação apresentada por Paulo Bento, para justificar a chamada de Hugo Viana para o lugar do lesionado Carlos Martins, transformaram-se na primeira derrota da Selecção Nacional na campanha do Europeu. Espero que, tendo sido a primeira, seja também a última.

2 – Segundo um estudo publicado pelo jornal desportivo espanhol Marca, a Selecção portuguesa é, de todas as representações nacionais que vão estar no Europeu, a que apresenta, para este efeito, o orçamento mais elevado. Para um país a braços com uma austeridade que o está a encaminhar para a miséria, nem sei como classificar estas mãos largas da Federação Portuguesa de Futebol. E será bom recordar, na circunstância, que parte significativa da sua vida financeira é sustentada pelo erário público, ou seja, com os impostos que pagamos.

3 – Alguém já viu na Europa do futebol uma guerra de palavras insultuosas como aquela a que recentemente assistimos cá entre Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira? É o desprestígio a galopar à desfilada pelo futebol português.

4 – Há anos – um bom par deles –, Pimenta Machado, nessa altura presidente do V. Guimarães, teve uma frase lapidar. Esta: «No futebol, o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira.» Pinto da Costa afirmou que Vítor Pereira tinha mais um ano de contrato e ia cumpri-lo. Andam já por aí umas notícias no ar que, cheira-me, preparam, diplomaticamente, a saída de Vítor Pereira da órbita do FC Porto. E o seu sucessor nem precisará de fazer uma viagem de muitos quilómetros para se apresentar ao serviço...

5 – Godinho Lopes anunciou que o contrato do Sporting com Sá Pinto foi prolongado por mais um ano. Quantos treinadores, sem apresentarem qualquer troféu obtido ao serviço do futebol profissional do clube, podem orgulhar-se de uma decisão destas? Não há dúvida – eu pelo menos não a tenho –, o Sporting está a ser muito bem gerido.

6 – É uma chuva que não pára de cair. Todos os dias há notícias a divulgarem o interesse do Benfica no mínimo em três jogadores. Já dava para fazer uns quatro plantéis.

7 – Clubes com salários em atraso é o que, também infelizmente, não falta no futebol profissional português. Mas quando chegar a hora das inscrições nas provas organizadas pela Liga, aposto dobrado contra singelo, vai estar tudo em ordem. E os jogadores sabem disso?

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1 – Os portugueses sabem onde ficam instalados os abutres da troika sempre que vêm a Portugal exigir mais austeridade – agora querem a redução dos salários para combater o desemprego – a um Governo de bonecos que apenas articulam o pescoço para dizer sim com a cabeça? Seria bom que soubessem...

2 – Nem as bombinhas de carnaval cheiram tão mal como o muito triste e não menos lamentável «caso secretas/Miguel Relvas». Mas, pelos vistos, continua a haver por aí alguma gente com as narinas entupidas.

3 – Com as lamentáveis declarações que fez, a propósito das condições miseráveis em que já vivem milhares e milhares de crianças gregas, Christine Largarde, secretária-geral do tenebroso FMI, merecia, no mínimo, levar um valente pontapé no traseiro. Gente com esta moralidade nem merece a água que bebe.

André Ricardo

 
«Olha, o rei vai nu!»


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1 – Foi já no período de compensação da primeira parte que o Sporting conseguiu o seu primeiro remate enquadrado com a baliza da Académica, dizem as estatísticas. Entre as mais variadas razões que possam explicar o fracasso leonino na final da Taça de Portugal, a falta de discernimento na construção de jogo ofensivo e a imperícia finalizadora são duas delas. E, volto a repetir, não chega ter determinação, ter querer, ter garra e bater continuadamente palmas junto à linha lateral para uma equipa se impor com êxito na procura da vitória, é também preciso ter futebol. Parece-me que no Sporting continua a faltar a coragem que embrulhou o grito da criança: «Olha, o rei vai nu!»

2 – «É um dia de luto para a família sportinguista.» Foi Sá Pinto quem o disse, no rescaldo do fracasso dos leões no Jamor. Mais, também reconheceu que o Sporting «não pode perder uma final com a Académica.» Talvez que o mais aconselhável, face a esta dolorosa realidade, fosse Sá Pinto sair de Alvalade. E, se possível, de mansinho, sem bater com a porta.

3 – Defour, jogador do FC Porto, declarou ao jornal Gazeta de Antuérpia, que um assessor do clube aconselhou-o a cumprimentar Witsel, jogador do Benfica, e seu compatriota, longe das câmaras de televisão. Isto não é rivalidade doentia, isto não é provincianismo bacoco, isto é pensamento primata.

4 – O que os milhões gastos com José Mourinho e André Villas Boas não conseguiram, conseguiu-o a promoção de treinador adjunto a treinador principal de Di Matteo. O Chelsea foi a casa do Bayern conquistar a sua primeira Liga dos Campeões. Num mundo em que se dança ao som da música tocada pelo dinheiro, às vezes consegue-se alguma coisa sem que o dinheiro seja determinante. Pois é, a vida é uma escola. E quem não aprender esta realidade, dificilmente perceberá o que é a vida.

5 – A partir de agora a atenção dos portugueses começa a virar-se para a presença da Selecção Nacional no Campeonato da Europa. Que alívio para o Governo...

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1 – A direcção do Público confirmou o que o gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares desmentira. Miguel Relvas, braço-direito de Pedro Passos Coelho – há quem garanta que é ele quem manda no Governo –, ameaçou o jornal com um blackout noticioso e a sua jornalista Maria José Oliveira com a divulgação de detalhes da sua vida privada na internet caso continuassem a publicar notícias sobre as secretas que o envolvessem. Num país verdadeiramente democrático, Miguel Relvas já estava demitido das suas funções governativas. Mas como estamos em Portugal...

2 – António Saraiva, hoje presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), ou seja, líder dos patrões, foi em tempos membro de uma Comissão de Trabalhadores da Lisnave. Embora eu saiba que nada é imutável nesta vida, uma reviravolta assim quanto à defesa de interesses tão antagónicos é obra, não para se lhe tirar o chapéu, mas sim para pôr uma pessoa, por mais ingénua que seja, a pensar que alguma coisa aqui não bate certo. Nem o maior contorcionista do Cirque do Soleil seria capaz de tamanha cambalhota.

André Ricardo

 
Vai por aí uma brasa...


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1 – A vida do Sporting, à excepção da sua actividade desportiva, principalmente o futebol, parece ter sido metida num casulo. Mas circula pelos corredores de Alvalade a ideia de que, não sendo borboletas que dele sairão logo após a final da Taça de Portugal, haverá no entanto alguém a bater asas após a festa – para um dos lados – do Jamor.

2 – «Mal do Benfica se Jesus se fosse embora. Ele é que os segura». A frase, entre outras mais ou menos irónicas, mais ou menos insinuosas, é de Pinto da Costa, proferida logo após o FC Porto ter reconquistado o título de campeão nacional. Só faltou ao presidente dos dragões dizer quem é que cairia caso Jesus dissesse adeus à Luz. Mas o líder portista também é capaz de ter pensado que para bom entendedor meia palavra basta...

3 – A Académica chegou à última jornada do campeonato a lutar para não descer. A Académica, para além de ter conseguido atingir esse seu importante objectivo, ainda vai à Liga Europa. Nem precisou de esperar pelo resultado da final da Taça de Portugal. A desistência dos clubes que ficaram entre o quinto e o décimo primeiro classificado – a inscrição do V. Guimarães foi recusada devido a irregularidades financeiras –, escancarou as portas da Europa aos estudantes. E assim vai o futebol português...

4 – Paulo Bento anunciou os nomes dos 23 jogadores que Portugal vai apresentar no Campeonato da Europa. Hugo Viana ficou excluído das escolhas do seleccionador nacional. Que, como justificação para esta sua opção, afirmou que o jogador bracarense não se enquadra no seu modelo de jogo para a representação portuguesa. Salvo melhor opinião, eu entendo que um plantel não pode ser apenas formado, no que respeita a jogadores de meio-campo, por carregadores de pianos. E se por qualquer imposição dos seus adversários, Portugal precisar de recorrer a um violinista no sector intermediário?

5 – O jeito que não tinha dado a certa comunicação social o Benfica ter sido campeão! Mas como isso não aconteceu, então vamos lá passar a vida a falar do Cardozo melhor goleador. Quem não tem cão caça com gato. Pois é...

6 – A Federação Portuguesa de Futebol rejeitou pela segunda vez o alargamento. E o mesmo destino foi dado à realização de uma liguilha. Uma posição coerente do organismo liderado por Fernando Gomes que é um oásis de lucidez num deserto de mau senso.

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1 – Tinha agendado uma série de infelizes acontecimentos para os abordar neste espaço. Mas desta feita, não sei se bem se mal, permanece-me a dúvida, reconheço, decidi, apenas por uma questão de higiene mental, escrever como o outro respondeu no Parlamento, quando instado sobre as secretas. «Não, não, não, não, não.»

André Ricardo

 
Fico-me pela meia dúzia...


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1 – Assim que o Benfica deixou de ter possibilidade de chegar ao título de campeão nacional, começaram a chover nomes de jogadores estrangeiros que podem rumar à Luz. Engraçado, mas apetecia-me antes dizer lamentável, que certa comunicação social se preste a este anunciar diário de autocarros cheios de possíveis contratados para o plantel que continuará – vamos ver, vamos ver... a ser treinado por Jorge Jesus.

2 – O Sporting não perdeu o terceiro lugar com a sua derrota no Dragão, o Sporting não conseguiu o acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões devido ao que fez, e sobretudo ao que deixou por fazer, durante o campeonato. Mas o Sporting podia ter saído com outro resultado do jogo com o FC Porto se Sá Pinto não se tivesse equivocado em duas ou três situações, a principal delas o ter permitido que Matías Fernandez andasse a arrastar-se no relvado até quase meio da segunda parte, tendo no banco um jogador (André Martins) claramente menos desgastado e que, apesar da sua juventude, já deu provas do seu grande potencial. Quando uma equipa perde o meio-campo, permite ao opositor mais facilmente chegar à vitória. É dos livros.

3 – Num abrir e fechar de olhos, ou melhor, no espaço de 24 horas, a palavra irreversível foi pura e simplesmente apagada do vocabulário português. Autor desta impensável obra? João Bartolomeu. Bastou a assembleia-geral da Liga de Clubes ter, uma vez mais, desavergonhadamente aprovado o alargamento, para o presidente demissionário – até quando? – do U. Leiria ter dado o dito pelo não dito, relativamente à desistência do clube do campeonato, em conferência de imprensa que também ficou marcada pelo seu ridículo comportamento. Com dirigentes deste calibre, como é que o futebol português pode trilhar outro caminho que não aquele que coloca em perigo a sua sobrevivência?

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1 – Apareceram três ou quatro cavalos abandonados numa zona de Odivelas. Os moradores, embora alguns deles até dêem de beber aos infelizes equídeos, pensam que, por causa de um ou outro galope, os seus filhos possam correr alguns riscos físicos. Compreende-se esta preocupação. Entretanto, apresentaram queixa na PSP. A resposta que obtiveram foi: «Vão à SIC.» Foram. E a SIC fez a reportagem. Está assim o nosso País...

2 – E, num ápice, a Europa entrou numa aflição, quase num Deus nos acuda, devido aos resultados eleitorais registados em França e na Grécia. Fiquem descansados os poderosos deste mundo que determinam, do alto dos seus imorais impérios financeiros, ser o dinheiro mais importante que o ser humano, que a exploração desencadeada pelo capitalismo selvagem não vai já levar um pontapé nos fundilhos. Não, é preciso acontecer mais alguma coisa... Mas que vai acontecer, disso não tenham dúvidas.

3 – A voz do ministro das Finanças, a dizer-nos o que não vai acontecer e acontece daí a dias, para não dizer daí a horas, recorda-me as vozes dos padrecas das aldeias portuguesas no tempo do Estado Novo. E por falar em tempo, os portugueses começam a ter cada vez menos tempo para aguentar políticos que fazem da mentira a verdade da sua governação.

André Ricardo

 
Não é este o caminho


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1 – Assim que terminou o Rio Ave-Benfica, o FC Porto escreveu no seu historial o 26.º título de campeão nacional. Não vale a pena haver clubes a carpir mágoas pelos erros de arbitragem. O campeonato é uma prova de regularidade e o FC Porto foi uma vez mais... o menos irregular. Não resulta, por conseguinte, tapar o Sol com uma peneira.

2 – O Sp. Braga perdeu em casa com o Olhanense e nas últimas quatro jornadas somou um empate e três derrotas. Depois de arredado da luta pelo título, o Sp. Braga fica também com o terceiro lugar em risco. As flores de Jardim estão a murchar...

3 – Não é preciso frequentar os subterrâneos do jornalismo ou ser-se um entendido na matéria, basta saber interpretar o que escreve e diz certa comunicação social para se perceber que Jorge Jesus, apesar de ter mais um ano de contrato com o Benfica, está já praticamente com os dois pés fora da Luz. Fazer jornalismo por encomenda é fácil, difícil é fazer jornalismo independente de tudo e de todos. Pois é, a vida está pela hora da morte...

4 – Andam por aí uns Bem Sentados na Vida que têm a distinta lata de criticar os dezasseis futebolistas do U. Leiria que rescindiram contrato devido a terem quatro meses de salários em atraso. Defendem esses Bem Sentados na Vida que, a três jornadas do final do campeonato, os dezasseis futebolistas do U. Leiria deviam antes manter tudo como estava, até por o clube ter assumido o compromisso de cumprir com as suas obrigações assim que fosse realizada a 30.ª jornada. Quantas vezes o U. Leiria garantiu regularizar os salários com esses seus dezasseis profissionais e tudo continuou na mesma? Que garantias concretas eles tinham para acreditar que o U. Leiria cumpriria com as suas obrigações após cair o pano sobre o campeonato? Esses que andam por aí Bem Sentados na Vida não sabem, nem conseguem imaginar, pelos vistos, o que é alguém, independentemente da sua profissão, sentar-se à mesa e ter apenas um prato vazio para dar de comer aos filhos. A esses Bem Sentados na Vida que falam hipocritamente daquilo que não sentem na pele, digo-lhes, não de viés, não nas entrelinhas, mas frontalmente: vão dar uma volta ao bilhar grande! E, já agora, vejam se ficam por lá.

5 – Quando terminou o Barcelona-Chelsea telefonei a um amigo meu e disse-lhe que tinha acabado um ciclo no clube catalão. Por sinal um ciclo de ouro. Mas porque é que me dizes isso?, perguntou-me o meu amigo. E eu justifiquei-me: o Pep Guardiola vai-se embora. Vamos ver, vamos ver, retorquiu-me o meu amigo. Viu-se. O anúncio está feito. O que me parece ser uma baixeza jornalística é alguma comunicação social armar-se de um patriotismo bacoco ao defender que a saída de Pep Guardiola do Barcelona se deve a um projecto montado pelo Real Madrid que dá pelo nome de José Mourinho. Estamos mesmo a precisar, nos mais variados sectores da sociedade, de um banho de moralidade!

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1 – Paulo de Carvalho foi ao Parlamento, no dia 25 de Abril, cantar E depois do adeus, a canção que foi senha para o começo das movimentações militares que colocaram ponto final num Estado Novo demasiado velho. Fiquei chocado. Entrevistei, durante três horas, Paulo de Carvalho, em sua casa, na Amadora, na década de 80, sempre acompanhei a sua carreira profissional, julgava conhecer minimamente Paulo de Carvalho. Pelos vistos... enganei-me. Não foi a primeira vez, não será, certamente, a última. Mas doeu-me, Paulo de Carvalho. Como foi possível vê-lo numa data histórica a cantar num Parlamento que tem dado descarada cobertura a políticas cujo único objectivo é deixar os portugueses com uma mão vazia e outra cheia de nada?

2 – Com aquela carinha-de-quem-não-é-capaz-de-partir-um-prato, a ministra da Agricultura e de não sei quantas pastas mais anunciou a criação de mais um imposto através de uma taxa aplicada anualmente às empresas da chamada distribuição moderna, de modo a financiar medidas de segurança alimentar, uma taxa que, no fundo, não será só paga pelos grupos económicos, mas sim pelos seu fornecedores e pelos seus clientes, ou seja, feitas bem as contas lá estamos em presença de mais uma medida gravosa para os nossos já depauperados bolsos. Será que não está na hora de o povo criar uma taxa para aplicar a este Governo de políticas parasitas?

3 – Foi descoberto mais um buraco de 80 milhões de euros de activos tóxicos no BPN. Eu aposto dobrado contra singelo que o Governo vai arquitectar uma solução para mais esta desvergonha que deixará os portugueses ainda mais intoxicados. Porque será que não vão buscar o outro a Cabo Verde?

André Ricardo

 
Não fechemos os olhos...


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1 – Os futebolistas da União de Leiria, com o apoio do sindicato que os representa, decidiram não entrar em campo, para defrontar o Feirense, na próxima jornada, se entretanto não lhes for pago parte dos salários (quatro meses) em atraso. O presidente da Liga de Clubes já veio a público dizer que há mais emblemas, nas competições profissionais de futebol, na mesma situação da União de Leiria. Para já, portanto, só estamos a olhar para a parte visível do icebergue. A parte mais perigosa, como se sabe, está sempre submersa.

2 – Diz a comunicação social – não tenho razões para duvidar – que o Sporting tem assinado um compromisso com Labyad, futebolista que termina contrato com o PSV Eindhoven no final desta época – desde há vários meses. Diz a comunicação social – não tenho razões para duvidar – que o Benfica procurou, mais recentemente, chegar a acordo com o clube holandês, para contratar o mesmo futebolista. É por comportamentos assim, e semelhantes, que os clubes portugueses andam de costas voltadas uns para os outros.

3 – O caso Paulo Pereira Cristóvão mantém-se na ordem do dia. Godinho Lopes, presidente do Sporting, continua, mesmo que nas entrelinhas, a criticar a posição do vice-presidente do clube, quanto a ter reassumido funções, mas o Conselho Leonino, reunido esta segunda-feira, chumbou uma moção de censura a esse comportamento de Paulo Pereira Cristóvão. Eu olho para todo este processo e recordo-me de uma frase que, no antigamente, com mais frequência que a desejada, lia no ecrã televisivo: «Pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos.» Pois, vamos então aguardar...

4 – A propósito da passagem do seu 30.º aniversário como presidente do FC Porto, Pinto da Costa, numa entrevista televisiva, disse qualquer coisa como isto: «Se o próprio Procurador-Geral da República não garante que não seja escutado, eu até me sentiria diminuÍdo se não o fosse.» É Pinto da Costa ao seu melhor nível, disso não tenho dúvidas.

5 – Mário Figueiredo, presidente da Liga de Clubes, confirmou que «vai ser agendada uma assembleia geral, provavelmente no final da próxima semana, para a discussão do alargamento com recurso a uma liguilha.» Não tenho dúvidas, há mesmo quem tenha um perigoso fascínio pelo abismo.

6 – José Mourinho é um treinador inteligente. Todos o sabemos. Mas, apesar dessa sua importantíssima qualidade, só agora percebeu que não pode jogar de igual para igual com o Barcelona. Daí que, em Camp Nou, sábado passado, não tenha utilizado um autocarro – tirada sua que ficou célebre – à frente da baliza do Real Madrid, como qualquer equipa da segunda metade da tabela classificativa o faria, nessa circunstância, antes fez uso... de um comboio. E composto por várias carruagens. Até Benzema andou quase 90 minutos a movimentar-se atrás da linha de meio-campo. Mas como o mais importante seria... não perder, o Real Madrid acabou por ganhar o jogo. José Mourinho limitou-se a seguir a célebre frase de D. Isabel de Gusmão: «Mais vale ser rainha uma hora do que duquesa toda a vida.»

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1 – A ministra da Justiça afirmou publicamente que, caso o Tribunal Constitucional declare inconstitucional o corte nos subsídios de Férias e de Natal, tal decisão constituirá uma catástrofe para o País, ficando desde logo em causa o cumprimento do memorando com a Troika. E assim, descaradamente, melhor, desavergonhadamente, se faz pressão sobre os tribunais. É este o conceito de democracia de um Governo que foi possível formar através de eleições livres.

2 – 175 milhões de euros gastos em projectos e estudos para obras que nunca passarão do papel, denunciou o ministro da Economia. E se, já agora, soubéssemos também a que empresas e escritórios de advogados foi paga esta astronómica quantia que ajudou, e de que maneira!, a dar cabo da economia nacional? E os responsáveis por este crime que estamos todos nós agora a pagar com língua de palmo não vão ser chamados à responsabilidade? Será que também neste caso a culpa vai morrer solteira?

3 – A Associação 25 de Abril fez saber que não participará nas celebrações oficiais da Revolução dos Cravos, por entender que «a linha política deste Governo deixou de reflectir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril e configurado na Constituição.» É a primeira vez, em quase 40 anos, que os capitães de Abril não participam nestas comemorações. Mário Soares e Manuel Alegre, em solidariedade com os militares, revelaram que também não estarão presentes na sessão oficial na Assembleia da República. Nada, nesta vida, acontece por acaso. Continuo a defender este princípio...


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Eu vou ali e já volto...


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1 – E, de repente, estoirou a bomba Paulo Pereira Cristóvão. Eu só ainda não consegui perceber – mas tenho esperança de lá chegar – como é que um homem, que durante duas décadas foi inspector da Polícia Judiciária, monta uma armadilha tão falha de inteligência? Cheira-me a esturro. Ou melhor, cheira-me que a coisa não vai ficar assim...

2 – Do que os sem-abrigo de Barcelos se safaram! Que grande bebedeira eles não apanhariam se o Gil Vicente tem ganho a Taça da Liga! Mas, atenção, só lhes escorreria pelas gargantas champanhe de segunda, talvez da qualidade do whisky de Sacavém – lembra-se dele o leitor? –, porque o Moet & Chandon, segundo o inenarrável Fiúza, presidente do clube, destinava-se, apenas, aos seus jogadores, treinadores e dirigentes. Ele há cada figura neste País!

3 – Os clubes pequenos, que aprovaram o alargamento, sem despromoções, já para entrar em vigor na próxima época, golpada entretanto travada pela Direcção da Federação Portuguesa de Futebol, ameaçam parar o campeonato na próxima jornada. E eu gostava que eles concretizassem mesmo essa ridícula ameaça. O leitor conhece a fábula da rã que queria ser boi, não conhece?

4 – Os jogadores da União Leiria já não recebem ordenados há vários meses. Decidiram, como forma de protesto, não treinar. João Bartolomeu, presidente do clube e respectiva SAD, chamou-lhes ingratos. E demitiu-se. Até que me provem o contrário, mas preto no branco, esta tomada de posição já leva alguns anos de atraso...

5 – Na próxima jornada do campeonato espanhol há o Barcelona-Real Madrid. A península ibérica vai estar de olhos em Camp Nou. Olá se vai!

Linha política

1 – Há uma semana, certos canais televisivos deram espaço informativo à Serra da Estrela porque não havia neve e os milhares de pessoas que a visitaram durante a Páscoa ficaram privados da sua atracção principal. Agora, deram espaço informativo à Serra da Estrela porque a neve deixou as estradas intransitáveis. E eu digo: isto é informação de merda!

2 – O Governo decidiu proibir que se fume dentro dos automóveis no caso de haver crianças presentes. Estamos perante mais uma, ninguém tenha dúvidas disso, preocupante ingerência na privacidade dos portugueses. Amanhã – é só aguardar –, seguir-se-á a proibição de se fumar dentro de casa de cada um de nós, imposição que incitará às denúncias entre vizinhos. Este Governo tem na sua essência uma perturbadora visão pidesca da vida. E eu a acreditar que a alma penada do Estado Novo desaparecera com o 25 de Abril. Sou mesmo ingénuo.

3 – Em mais uma medida que dá para perceber, mesmo aos mais distraídos e incautos, as verdadeiras razões que levaram à sua criação, a União Europeia quer Portugal a importar ovos em quantidades exorbitantes, proibindo-o de ser, também nesta área produtiva, autosuficiente. Os cús das galinhas portuguesas vão, finalmente, ter um merecido descanso. Agora a sério: quando é que pomos esta gentalha na ordem?

André Ricardo

 
Ao que isto chegou


Linha desportiva

1 – Eu sei que no futebol, tal como acontece na política, é difícil falar verdade. Na conferência de imprensa após o jogo Sporting-Benfica, Jorge Jesus afirmou que os benfiquistas tiveram mais oportunidades de golo que o leões. Vistas e revistas as imagens do jogo de Alvalade, constata-se: Insúa, quase em cima do risco da baliza, travou um cabeceamento de Maxi Pereira; Izmailov rematou à trave; e Wolfswinkel, num lance em que se isolou frente a Artur, após mau passe de Javi Garcia, rematou contra as pernas do guarda-redes, e noutro, depois de driblar Artur, escorregou quando se preparava para rematar para a baliza. É só fazer contas, não é?

2 – Ainda na mesma conferência de imprensa. Face à banalidade das perguntas colocadas pelos jornalistas portugueses, foi preciso um jornalista brasileiro para colocar uma questão a Jorge Jesus que deixou o treinador do Benfica com vontade de abandonar a sala. Qual a razão para o Benfica, à semelhança do campeonato passado, ter perdido tantos pontos na segunda volta. A isenção jornalística – faço a justiça, porque merecida, de ressalvar meia dúzia de excepções – anda mesmo pela hora da morte. Olá se anda!

3 – Na hora H do campeonato, o Sp. Braga perdeu dois jogos seguidos, precisamente frente aos dois emblemas com que media argumentos na luta pelo título. Contrariamente ao que muitos querem fazer crer, embora lá bem no fundo do seu íntimo pensem o contrário – e englobo neste pacote também boa parte da comunicação social –, o campeonato ainda não está resolvido. Resolvido só está para o Sp. Braga.

4 – No derby da Madeira, o Nacional foi ganhar a casa do Marítimo e logo por 2-4. O Marítimo foi ultrapassado pelo Sporting na luta pelo quarto lugar, mas pior que esta perda de posição, difícil para os adeptos maritimistas foi mesmo a sua equipa ser goleada pela do seu arqui-rival da Madeira.

5 – E de repente, em Setúbal, o nevoeiro foi-se, o sol apareceu em todo o seu esplendor. Afinal, o presidente Fernando Oliveira não precisava de se ter aliado àqueles que queriam dar a golpaça do alargamento sem despromoções. Parabéns a João Mota!

Linha política

1 – Às escondidas – eu estava com vontade de escrever à traição –, o Governo resolveu pôr termo às reformas antecipadas até 2015. O País ficou a saber, pela boca do primeiro-ministro, que o Governo procedeu assim para evitar uma corrida que poderia pôr em causa as contas do Estado. Primeiro, o primeiro-ministro devia ter a coragem de dizer publicamente as razões pelas quais os portugueses assim poderiam proceder; segundo, o primeiro-ministro está a confundir os portugueses com o Governo que chefia.

2 – O Partido Socialista anda a fazer de donzela ofendida, quanto às medidas que o Governo continua a aprovar e que põem, diariamente, os portugueses mais pobres, mas esquece-se, hipocritamente, de ter sido ele o organizador da festa. A dança da desgraça apenas aumentou de ritmo com a coligação PSD/CDS. O resto é conversa de chacha.

3 – Instado a pronunciar-se, sempre que anda candidamente a viajar pelo País, sobre as medidas mais gravosas que diariamente caem sobre os portugueses, o Presidente da República refugia-se sempre na mesma argumentação: a governação é da competência do Governo. Pergunto: então para que é que o senhor Cavaco Silva foi eleito para se sentar no cadeirão em Belém? Não me digam que estamos em presença de um corta-fitas pós-25 de Abril!

André Ricardo

 
Amêndoas amargas


Linha desportiva

1 – «A grande penalidade e a expulsão de Maxi não têm cabimento.» Esta afirmação é de Jorge Jesus, após o jogo Chelsea-Benfica. O penalty de Javi García existiu mesmo, não se percebe a sua exaltação. E repetindo o que já dissera quando Aimar foi expulso no jogo Olhanense-Benfica, mostra não ter emenda, ou por outra, prefere distorcer a realidade ao querer esconder o Sol como uma peneira. O que Jorge Jesus devia fazer, quando se trata de jogos para as competições da UEFA, era precavidamente avisar os seus jogadores de que não estão a fazê-lo no regabofe disciplinar em que vive a arbitragem portuguesa, benevolente, como só ela sabe ser, para os chamados clubes grandes.

2 – Dou um exemplo. No jogo Benfica-Sp. Braga, ainda nos minutos iniciais, Quim pretendeu colocar a bola em jogo com as mãos para um rápido contra-ataque dos bracarenses. Maxi Pereira primeiro empurrou-o, e como não ficasse satisfeito com essa clara irregularidade, voltou a impedir-lhe a acção colocando ainda a mão na bola. João Ferreira ficou mudo e quedo como um penedo. E se esta infracção disciplinar tem sido cometida por um jogador do Sp. Braga? Depois, ainda longe do jogo terminar, Maxi Pereira viu um amarelo. Será que Jorge Jesus está a chegar onde eu pretendo que ele chegue? Jorge Jesus devia preocupar-se muito com este seu jogador uruguaio, porque é um dos mais, senão mesmo o líder da indisciplina nas competições nacionais.

3 – Agora que o Benfica se bateu de igual para igual com o Chelsea, mesmo quando teve um jogador a menos, essa é uma verdade inquestionável. Mais, o Benfica não merecia ter saído derrotado de Stamford Bridge.

4 – O Sporting conseguiu o que mais almejava. Empatou em Kharkiv com o Metalist e apurou-se para as meias-finais da Liga Europa. Cabe-lhe agora defrontar o surpreendente Athletic Bilbao. Apesar desta significativa proeza, eu era capaz de jurar a pés juntos que não há na alta competição internacional – já para não falar das competições que se realizam por cá – uma equipa que falhe tantos passes como a do Sporting. Chega a ser confrangedor tanta imperícia...

5 – Que espírito de missão terá Vítor Pereira até ao final do campeonato sabendo que – como acontece com Santiago Nasar, personagem de um notável livro de Gabriel Garcia Márquez, que antecipadamente sabe que vai ser assassinado –, os seus dias no banco do FC Porto chegam ao final quando cair o pano sobre o presente campeonato? E essa de cair na opinião pública a notícia de Pinto da Costa querer contratar Leonardo Jardim em vésperas de um Sp. Braga-FC Porto?

Linha política

1 – Estava a olhar para a televisão mas o meu pensamento vagueava por outro lado. De repente, porém, a minha atenção centrou-se de novo no pequeno ecrã. Um canal generalista estava a transmitir uma reportagem numa estação de serviço sobre mais um aumento da gasolina. Para além de ter ficado a saber que dos 27 países que compõem a União Europeia, Portugal é o que tem a gasolina mais cara, ouvi um entrevistado proclamar: «Ladrões!» E, logo a seguir, outro avisar: «O que isto está a precisar é de uma guerra!» E é em alturas como esta que me recordo do refrão da canção Os Vampiros, de Zeca Afonso: Eles comem tudo / Eles comem tudo / Eles comem tudo e não deixam nada...

2 – Com uma voz que Judas certamente gostaria de ter tido, o ministro das Finanças decidiu brincar com os deputados na Assembleia da República, a propósito de mais um desentendimento de datas com o Primeiro-ministro, sobre a reposição dos subsídios de Férias e de Natal, explicando «muito vagarosamente», que «o ano de 2015 é o consecutivo a 2014.» Não houve um deputado da oposição – os que apoiam a maioria governamental não estão lá para isso – que, na defesa da sua dignidade pessoal e política, dissesse ao ministro das Finanças: «Senhor ministro, vou explicar-lhe uma operação adicional como se o senhor tivesse seis anos, porque, de outra maneira, talvez a não compreenda: dois mais dois são quatro.

3 – Na Grécia, em frente ao Parlamento, um farmacêutico reformado suicidou-se devido às selváticas medidas de austeridade que estão a ser implementadas no país. Foi-lhe encontrada num dos bolsos uma missiva. Nela, pedia aos seus compatriotas que fizessem aos traidores no governo o mesmo que os italianos fizeram a Mussolini, Pimeiro-ministro italiano e líder do Partido Nacional Fascista: enforcaram-no. Os tumultos regressaram à Grécia.

André Ricardo

 
Ver Braga por um canudo


1 – Quando faltam seis jornadas para o campeonato terminar, o Sp. Braga é líder. Tem um ponto de avanço sobre o FC Porto e dois sobre o Benfica. O jogo entre encarnados e bracarenses, na Luz, transformou-se em 90 minutos que vão ter uma palavra decisiva quanto ao próximo campeão. Para já, para já, porém, há dois candidatos que estão a ver Braga por um canudo. O resto é conversa...

2 – Li, após ter terminado o jogo de Olhão, que Rui Costa, director desportivo e administrador da SAD do Benfica, esteve na cabina de Sérgio Conceição, local onde voltou, poucos minutos depois, na companhia de Luís Filipe Vieira. Esta dupla visita encarnada terá sido para dar os parabéns ao treinador do Olhanense? Gostava de saber...

3 – Entre limpadelas ao nariz, com as costas de uma das mãos, Jorge Jesus afirmou ao jornalista do canal televisivo que fez a transmissão do jogo Olhanense-Benfica, que Aimar não agrediu Rui Duarte, que se tratou de um lance normal entre os dois jogadores. Eu já andava desconfiado, mas depois de ouvir o treinador do Benfica dissertar, como só ele sabe fazer, sobre a expulsão de Aimar, que me dizem ser um jogador disciplinarmente correcto, opinião que também partilho, vou ter de ir rapidamente a uma consulta oftalmológica. As dioptrias das minhas lentes estão desactualizadas...

4 – Parabéns ao Gil Vicente pela sua qualificação para a final da Taça da Liga, perante um Sp. Braga que era claramente favorito. Surpresas destas é que dão tempero a um futebol servido como prato principal a milhões e milhões espalhados pelos quatro cantos do mundo.

5 – A comunicação social deu ênfase ao facto de, nos dois jogos da Liga dos Campeões, realizados terça-feira, o Benfica-Chelsea e o APOEL-Real Madrid, só a equipa encarnada não ter apresentado no seu onze um jogador português. Mas o Benfica fez três substituições e outros tantos estrangeiros entraram em acção. E tinha Eduardo, Miguel Vítor e Nélson Oliveira no banco...

6 – Excepção feita ao Barcelona, que fez desse sistema uma ciência de jogo, a maior posse de bola não significa, necessariamente, que uma equipa seja superior à outra. O Benfica, na Luz, jogou aquilo que o Chelsea o deixou jogar, certamente por, agora, o clube londrino encarnar a filosofia de jogo de um treinador italiano. Mas o Benfica tem razão para se queixar de uma grande penalidade que ficou por marcar a seu favor.

7 – No Sporting-Metalist, pena o golo da equipa ucraniana, já em período de compensação. Mas o Sporting continua a ter as meias-finais ao seu alcance. Só precisa, no jogo da segunda mão, ao espírito colectivo e capacidade de luta... juntar cabeça.

8 – Chamava-se Venkatesh, tinha 27 anos, era jogador do Bangalone Mars, da Índia. Morreu num jogo de futebol, após paragem cardíaca. Foi transportado de triciclo para o hospital por não haver, no estádio, uma ambulância. A Índia tem uma economia emergente, apontam economistas sabichões, que também a dão como exemplo a seguir a países como Portugal. Será que estes lacaios de um liberalismo económico/financeiro selvático conhecem a verdadeira realidade vivida pela maioria da população da Índia?

André Ricardo

 
Alargamento encolhido


1 – A Direcção da FPF decidiu travar um aberrante alargamento dos campeonatos profissionais, que teria efeito já a partir deste temporada, não havendo despromoções. Os clubes pequenos que o haviam aprovado, reagiram despudoradamente. Argumentam que a ditadura acabou com o 25 de Abril, que é preciso respeitar a vontade das maiorias. Qual vontade? A de mudar as regras de um jogo quando esse jogo está quase no seu final? Permitir que vários clubes, no tocante à Liga principal, já não precisem de lutar pela permanência quando ainda têm interferência directa nas lutas pelo título e presenças nas competições da UEFA? Então é assim, dá-se um pontapé na verdade desportiva? É também por causa de dirigentes com mentalidades egocêntricas como estas que o futebol português está como está.

2 – Vi uma entrevista de Vale e Azevedo a um dos canais televisivos generalistas. Não deu para acreditar. Com a desfaçatez que faz parte de uma mente a necessitar, urgentemente, de tratamento psicológico, o que está à vista de todos, menos de meia dúzia de apaniguados seus também precisados de serem internados para tratamento igual, o antigo presidente do Benfica queixa-se de uma lei que, bem vistas as coisas, tem portas suficientes para escapadelas a condenações e expatriações que lhe têm servido a preceito para, instalado em Londres, entre gente rica, se manter impavidamente a gozar com quem está em Portugal, à espera que se faça justiça sobre as suas comprovadas falsificações e abusos de confiança.

3 – Assim que soube quem tocava ao Chelsea, para os quartos-de-final da Liga dos Campões, Drogba, em plena cabina do Stamford Bridge, pôs-se a imitar uma galinha, como quem diz: «Isto vai ser canja!» Drogba enganou-se. No emblema do Benfica está uma águia. E, quem sabe?, talvez se venha a enganar mais uma vez. O Manchester United também começou a fase de grupos cheio de soberba, principalmente quando visitou a Luz, e acabou empurrado para a Liga Europa. Da qual saiu agora empurrado para a rua pelo Atlético de Bilbau. Cuidado, Drogba, Deus, às vezes, distrai-se, mas nunca dorme.

4 – Um ano após a interverção a que foi sujeito ao figado, Abidal vai ter de ser submetido a um transplante. Acabou o futebol de alta competição para o internacional francês. Retenho, neste momento triste para o futebol mundial, as palavras de dois treinadores: «Mais importante de tudo é salvar o homem», disse Pep Guardiola. «Num momento destes não há branco nem azul-grená», disse José Mourinho.

5 – Muamba, 23 anos de idade, jogador do Tottenham, sofreu um ataque cardíaco em pleno relvado, quando a sua equipa defrontava o Bolton. Encontra-se entre a vida e a morte. Nesta vida, quanto a certezas, só mesmo a morte. Mas, mesmo perante esta incontornável realidade, há quem persista, desavergonhadamente, a fazer-nos sofrer.

6 – O Sporting não obteve um resultado histórico em Manchester devido às substituições operadas por Sá Pinto. Quando, perante um adversário com a envergadura do City, se lhe dá meio-campo... Mas conseguiu, mesmo assim, um feito que surpreendeu o mundo do futebol, confirmando a alegoria bíblica de David contra Golias.

André Ricardo

 
Conversa de chacha


Linha desportiva

1 – Logo após o Benfica- FC Porto, Jorge Jesus chamou desonesto ao árbitro auxiliar que não assinalou o fora-de-jogo de Maicon no terceiro golo portista. O Conselho de Disciplina da FPF abriu um precedente grave ao decidir pela inexistência de matéria que justificasse a aplicação de um castigo ao treinador dos encarnados. Não tenhamos a mínima dúvida, tudo isto tem a ver com a dimensão... dos emblemas. O medo – deixemo-nos de joguinhos de palavras – que o FC Porto impôs durante as décadas de oitenta, noventa e parte da que marcou o começo do século XXI, é agora imposto pelo Benfica. O resto é conversa de chacha.

2 – Renhido como o campeonato está, não tenhamos dúvidas, as queixas sobre a arbitragem vão continuar na ordem do dia. Aliás, penso mesmo que a pressão sobre os árbitros vai mesmo agudizar-se, com os grandes a lamentarem-se todas as semanas. Mas quando, no final do campeonato, se fizer o deve e haver quanto a erros dos árbitros, mais uma vez se provará que, comendo os grandes da mesma gamela, o saldo positivo é igual para todos eles. Os pequenos, tirando um ou outro caso que só confirma a regra, só estão metidos nesta história para, como acontece no boxe, fazerem de saco. O resto é conversa de chacha.

3 – A vitória sobre o Manchester City, primeiro, e o triunfo robusto diante do V. Guimarães, depois, deram ao Sporting a confiança que lhe faltaria para poder encarar o resto da temporada com maior tranquilidade, a começar já pela visita a Inglaterra, para o jogo da segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa, com a equipa comandada por Mancini. O resto é conversa de chacha.

4 – A Liga decidiu. O campeonato será alargado, já a partir da próxima temporada, para dezoito clubes, não havendo descidas esta época. A justificação, para esta magnânima decisão, é a de se aumentarem receitas. Mas a maioria dos estádios continuará com demasiado espaço vazio nas suas bancadas. Mais, haverá jogos que não terão, como tem acontecido até aqui, um milhar de pessoas a presenciá-los. Portanto, a argumentação da Liga, para esta aberrante e perigosa decisão, para além de constituir mais um passo do futebol português a caminho do precipício, é conversa de chacha.

5 – Num jogo da Liga dos Campeões, frente ao actual quinto (!) classificado do campeonato da Alemanha, é preciso ter em atenção, Messi marcou cinco golos. Cinco (!). Todos para satisfazer os mais variados gostos. Messi não anda em bicos de pés. Quem acompanha mais de perto o futebol sabe, inclusivamente, que o fenómeno argentino procura, em demasia segundo certa comunicação social, passar despercebido. Messi é o melhor jogador do mundo. O resto é conversa de chacha.

Linha política

1 – Enquanto José Sócrates foi Primeiro Ministro e, como tal, um dos – há mais, muitos mais – principais responsáveis por Portugal estar como está, do Presidente da República ao Ministério da Justiça não houve um só dedo que se tivesse levantado para o acusar no caso da Licenciatura, no caso Freeport, no caso Face Oculta, todos, medrosa e comprometedoramente, se remeteram ao silêncio. Mas agora que são outros a pôr e a dispôr em Portugal, ei-los, oportunisticamente, de garras afiadas para que se faça justiça. Faz-me lembrar Vale e Azevedo. Enquanto foi presidente do Benfica... O resto é conversa de chacha.

2 – Há numa cidade alemã um desconhecido que está a deixar em igrejas e instituições de beneficência envelopes com notas de quinhentos euros, nalguns casos um gesto benemérito a chegar aos dez mil euros. A comunicação social alemã já lhe chama o novo Robin dos Bosques. Afinal, de repente, ficamos a saber que a toda poderosa Alemanha, que anda com as suas ditaturiais políticas de austeridade a impôr a miséria na Europa, também está, dentro de casa, a braços com uma chaga social chamada fome. O resto é conversa de chacha.

André Ricardo

 
Não se olhe só a árvore...


Linha desportiva

1 – Eu gosto de jogar vários jogos mas não gosto do jogo de palavras. Pelo menos em determinado sentido. Sejamos, neste caso, objectivos. Na conferência de imprensa realizada após o Benfica-FC Porto, Jorge Jesus chamou, com todas as letras, frontalmente, desonesto ao auxiliar Ricardo Santos. Tenho curiosidade em conhecer qual a reacção da FPF e da Associação representante dos árbitros à grave acusação do treinador do Benfica.

2 – Com que os benfiquistas deviam preocupar-se deveras era, não com o fora-de-jogo – que houve – no terceiro golo do FC Porto – também houve um penalty de Cardozo de que ninguém fala –, mas com as razões pelas quais Saviola, um dos melhores jogadores do plantel, raramente é utilizado, e Capdevila, um dos melhores defesas esquerdos europeus, vê todos os jogos sentado na bancada.

3 – Então os sportinguistas julgavam que a culpa era do Domingos Paciência? Se para dirigir uma equipa do banco é suficiente gritar «Vamos!, vamos!» e, principalmente, bater palmas, eu também posso ser treinador.

4 – Terá sido, neste campeonato, pela sua oportunidade, a vitória até agora mais importante e de maior significado a que o Sp. Braga alcançou na Choupana, frente ao Nacional. E esteve a perder... É bom que se olhe – e também me dirijo à comunicação social – para os bracarenses com o mesmo respeito com que se olha para portistas e benfiquistas.

5 – O presidente da Liga quer aumentar o número de clubes no campeonato para dezoito, isto numa altura em que vários dos que lá estão caminham a passos largos para a falência. E mais uma vez recordo-me das palavras de um agricultor algarvio que ouvi/vi na televisão: «Os portugueses têm barriga de rico e carteira de pobre.»

6 – O sonho comanda a vida e, nesse sentido, sonhar é um direito de todos. Mas há sonhos e sonhos. Alguns podem transformar-se em pesadelos. Escrevi aqui duas ou três vezes que, com a sua ida para o Chelsea, André Villas Boas poderia correr sério risco de dar um passo maior que a sua perna. Consumou-se. A transferência mais cara de sempre de um treinador redundou num fiasco. Nem todos são Mourinhos. Olha se o FC Porto, a nível interno, não tem conseguido o que conseguiu nas últimas duas semanas... Vítor Pereira já não tinha sonhos, só pesadelos lhe povoariam as noites...

Linha política

1 – Pedro Passos Coelho foi reeleito presidente do PSD em eleições que passaram despercebidas ao país. Foi reeleito com quase cem por cento dos votos contra... ninguém. Ou seja, uma unanimidade a fazer-me recordar outras, também a nível partidário... Mas estas foram sempre criticadas pelas eminências pardas cá do burgo por, argumentam, carência de democraticidade. É a velha história do roto e do nu...

2 – Há situações na política que me fazem lembrar o futebol. Quando o presidente vem publicamente dar um voto de confiança ao treinador é porque este vai para o desemprego pouco depois. Pedro Passos Coelho e Paulo Portas já desmentiram publicamente divergências no Governo face a um conflito entre o ministro da Economia e o ministro das Finanças sobre a administração de fundos comunitários...

3 – Ontem, à saída da residência oficial do Primeiro Ministro, o veículo onde seguia o ministro da Economia transitou vários metros em sentido proibido. Como não há – julgo eu – portugueses de primeira e portugueses de segunda, naturalmente que o ministro da Economia será punido pela grave infracção que cometeu. Ou não?

4 – Putin foi mais uma vez eleito presidente da Rússia e nem precisou de se submeter a uma segunda volta. Putin está tão agarrado ao poder como uma lapa se agarra à rocha. Mas, pelos vistos, infelizmente, há povos que gostam assim. Eu até nem queria partilhar da ideia de um amigo meu que diz que os povos têm aquilo que merecem...

André Ricardo

 
Há secas... e “secas”


Linha desportiva

1 – Minuto 72. Lance entre Adrien e Witsel. O jogador da casa fica no chão, a contorcer-se com dores num pé, o árbitro não assinala falta, o Benfica, de posse da bola, não a lança para fora, como, em nome do fair-play, recomendam UEFA e FIFA, antes procura lançar mais um ataque, com Jorge Jesus a correr de um lado para o outro, como se estivesse a fugir da Troika, entretanto, a Académia recupera a bola, Adrien continua no chão, um seu jogador atira-a para fora. O Benfica repõe a bola em jogo, mas não a devolve à Académica, como, em nome do fair-play, recomendam UEFA e FIFA, antes o faz de maneira a poder lançar novo ataque. É Jesus... mas borrifa-se para a dor alheia, o que é preciso é ganhar. Quando o bom exemplo não vem de cima...

2 – O Benfica tinha cinco pontos de avanço do FC Porto mas em duas jornadas seguidas esbanjou essa vantagem com uma derrota em Guimarães e um empate em Coimbra. E na próxima jornada há um Benfica-FC Porto. Eu gostava que no Estádio da Luz, sexta-feira, houvesse apenas futebol. Não sei se estou a fazer-me entender...

3 – E o Sp. Braga, em pezinhos de lã, sem se dar por ele, com a sua folgada vitória (4-0) diante do V. Guimarães, queda-se apenas a três pontos do FC Porto e do Benfica. Portanto, o melhor, na circunstância, para o FC Porto e o Benfica, é que não fiquem apenas preocupados a olhar um para o outro. Leonardo está a tratar bem o seu jardim.

4 – Os puxa-saco também estão institucionalizados no futebol. Ao falar aos jornalistas, numa antevisão de um jogo do Sporting, já sob o comando de Sá Pinto, João Pereira disse que a bola, para a equipa leonina, na era de Domingos Paciência, até parecia que tinha picos. Pela qualidade futebolista que o Sporting continua a apresentar depois de mudar de treinador, à bola poderão ter desaparecido os picos, mas os seus jogadores tratam-na como se tivessem chuteiras revestidas de cimento armado.

Linha política

1 – Aconteceu numa cidade portuguesa, pela sua dimensão de grandeza média. Mas famosa a nível mundial devido ao seu rico património cultural.
O meu primo, ao sair do carro, colocou mal o pé no chão, sentiu, de imediato, uma grande dor, a minha prima levou-o às urgências do hospital.
O meu primo esteve horas à espera que lhe fizessem uma radiografia. O meu primo esteve horas à espera que lhe dissessem qual a lesão detectada pela radiografia. A minha prima resolveu ir à procura de informação, deu com dois médicos a discutirem qual deles teria de fazer a urgência do fim-de-semana, interrompeu-os, mostrou-lhes a sua preocupação, e um dos médicos disse-lhe:
- O seu filho tem uma entorse grave, a senhora vai levá-lo para casa, vai à farmácia, compra duas talas e ligaduras e coloca-as no pé do seu filho.
A minha prima gastou 50 euros para cumprir à risca estas irresponsáveis instruções.
O caro leitor chegou até aqui e disse: «Não, não pode ser, isto é pura ficção.» Percebo-o. Mas não é, isto aconteceu mesmo. Numa cidade portuguesa, de grandeza média pela sua dimensão. Mas famosa a nível mundial devido ao seu rico património cultural.

2 – Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008, afirmou que os salários dos portugueses têm de ser reduzidos em 30 por cento – repito, 30 por cento! – em relação à Alemanha. Paulo Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008, não disse que, em simultâneo com essa medida, as responsabilidades dos portugueses, relativamente aos pagamentos dos seus créditos bancários, alimentação, transportes, educação, saúde, água, gás, electricidade – a lista é mais longa -, deviam, igualmente, ser reduzidas em 30 por cento. Apesar de ser um Prémio Nobel, é também mais um a papaguear a implementação de ultrajantes medidas que só acentuariam a desumanidade que se está a enraizar em Portugal.

André Ricardo

 
Três para cada lado


Linha desportiva

1 – Está relançado o campeonato. Com a derrota do Benfica em Guimarães – atenção às segundas voltas das equipas treinadas por Jorge Jesus –, apenas dois pontos separam o líder do FC Porto. Já agora, por falar deste jogo no Estádio Afonso Henriques, o caro leitor, se viu o jogo pela televisão – estes grandes planos só podem ser observados através do pequeno ecrã –, reparou no olhar claramente ameaçador de Carlos Xistra para Toscano, por este ter reclamado uma falta sobre si que o árbitro decidiu não assinalar? Eu gostava de ver os árbitros portugueses a olharem assim para jogadores do Benfica, do FC Porto e do Sporting. Como é difícil ser-se pequeno no futebol português...

2 – Depois de um empate na Polónia, para a Liga Europa, o Sporting ganhou ao Paços de Ferreira em Alvalade. Para além de ter arrecadado os três pontos apenas com um autogolo, o Sporting voltou a mostrar empenho, determinação, inconformismo, mas também voltou a jogar com uma lentidão de arrasar os nervos aos seus apaniguados e a praticar um futebol de qualidade demasiado aquém das suas responsabilidades. Mas fácil é dizer-se que só agora começou a era Sá Pinto, como vou lendo e ouvindo por aí...

3 – «Temos dados para se descobrir quem montou essa notícia.» Esta frase, entre outras, sobre a notícia posta a circular na altura em que Domingos foi despedido – é o termo correcto, deixemos de lado a hipocrisia barata e bolorenta – do Sporting, foi proferida por Pinto da Costa. Divulgava essa notícia contactos entre dirigentes do FC Porto e o treinador então ainda a trabalhar nos leões. Dado que o nome e a honestidade do clube do qual é presidente foram postos em causa, pergunto: qual a razão para Pinto da Costa não pôr a boca no trombone e assim chamar os bois pelos nomes, ele que sempre se mostrou, quase sempre utilizando uma ironia muito própria, um dirigente capaz de afrontar tudo e todos? Podia, na verdade, contribuir, com a brevidade possível, para o esclarecimento de um caso que deixa o Sporting – o seu presidente, para ser preciso – mal na fotografia.

Linha política

1 – O cinema português está de parabéns. Os realizadores João Salavisa, com a curta-metragem Rafa, e Miguel Gomes, com a longa-metragem Tabu, foram dois dos vencedores do Festival de Berlim, tendo o primeiro sido mesmo distinguido com o Urso de Ouro. Fica uma vez mais provado que os portugueses podem ser tão bons como os melhores. Desde que lhes dêem oportunidades para tal...

2 – É nas televisões, é nos jornais, é nas rádios. De todos os órgãos de comunicação chegam-me as grandes preocupações do Governo e do Partido Socialista, naturalmente empurrados pela também grande preocupação manifestada pela União Europeia, sobre o desemprego que grassa pela juventude portuguesa. Mas... então e os outros, os portugueses nas faixas etárias dos 40 e 50 anos de idade que vivem igualmente o drama de não terem trabalho? Já não contam? Já não oferecem preocupação? Passaram à história? Quais as medidas para os tirarem dessa desumana situação? Toda essa gentalha, de dentro e de fora do país, que nos impõe aquilo que não queremos, é de uma hipocrisia merecedora de uma resposta rápida e contundente, ao estilo de: quem com ferro mata, com ferro morre.

3 – «Fascista» e «salazarista» foi o que gente de Gouveia chamou, olhos nos olhos, cara a cara, a Pedro Passos Coelho. Há quantos anos eu não ouvia chamar estes impropérios a um líder de um governo português? Mais um registo para o curto mas brilhante currículo de Pedro Passos Coelho como Primeiro Ministro.

André Ricardo

 
Sai mais um “cocktail”!


Linha desportiva

1 – «Confiança em Domingos Paciência? É um tema que não faz qualquer sentido colocar. Há uma estrutura à volta do futebol, devidamente consolidada, e para fazer um bom trabalho ao longo do tempo tem de ser sustentada.» Esta frase é de Godinho Lopes, presidente do Sporting, feita anteontem aos jornalistas. Ontem, o Sporting anunciava a rescisão do contrato com Domingos Paciência, chamando Ricardo Sá Pinto ao comando técnico do plantel principal até ao final da próxima temporada. Alguém se admira de o Sporting estar como está? Eu não! E quem manda verdadeiramente no Sporting é uma claque chamada Juve Leo. E enquanto assim continuar...

2 – «A imprensa trata-me como um assassino.» Afirmação de Pepe à comunicação social espanhola. Coitadinho dele...

3 – Este fim-de-semana, quanto ao campeonato de Espanha, o Real Madrid deu mais um passo importante para chegar ao título. José Mourinho deve estar a esfregar as mãos. E não é por causa do frio, não...

Linha política

1 – Dizem-me que estiveram trezentas mil pessoas na manifestação de sábado passado, em Lisboa. Há quem tivesse considerado o número elevado. Pois eu considero-o pequeno, tendo atenção, claro, o que andam a fazer a Portugal e aos portugueses. Mas há portugueses que continuam, muito comodamente, a pensar que devem ser só alguns a fazer o que cabe a todos realizar.

2 – A Grécia continua a ferro e fogo. Claro que os agiotas que mandam no mundo continuam a dizer que o país mãe da civilização Ocidental é um mau exemplo que não deve ser seguido. Pois, bons exemplos são aqueles que nos querem pôr – está quase, está quase – de mão estendida, vestidos com farrapos...

3 – O Supremo Tribunal de Espanha condenou o juiz Baltazar Garzón a onze anos sem poder exercer o seu cargo por ter ordenado escutas entre acusados em alguns processos que lhe passaram pelas mãos. Mas são milhões aqueles que no país aqui ao lado defendem outra versão, a de se estar apenas perante a consumação de uma vingança da direita espanhola mais radical por nunca ter perdoado a Garzón a sua decisão de mandar prender o sanguinário Augusto Pinochet, quando o ditador chileno se encontrava em Inglaterra, a tratar-se de uma doença. Recordo-me, a propósito da argumentação para esta condenação, de um velho ditado português: com papas e bolos se enganam os tolos. É também por isso, para tentar andar neste mundo com a maior lucidez possível, que eu prefiro sandes de ovo e de torresmos, acompanhadas de uma cerveja fresquinha.

4 – Morreu Whitney Houston. Tinha 48 anos. Uns morrem por não conseguirem viver com o muito que têm, outros morrem por não conseguirem viver com o que nada têm. E muitos continuam a viver indiferentes a esta desumana desigualdade social. Que raio de mundo este!

André Ricardo

 
Ó da guarda!


Linha política

1 – Ao falar da crise económica e financeira que está a arrastar Portugal para a miséria e a fome, Pedro Passos Coelho – desta vez escrevo o nome por extenso -, mesmo perante as mais recentes estatísticas que apontam para mais de um milhão de desempregados e mais de seiscentas famílias incapazes de pagar os seus créditos pessoais e de habitação aos bancos, Pedro Passos Coelho – repito o nome – disse que os portugueses têm de ser «mais exigentes» e «menos piegas.» Quando é que os portugueses vão sair do seu estado letárgico e correm a pontapé – pelo menos – um hipócrita destes?

2 – E não fiquem os portugueses com problemas de consciência se correrem este hipócrita a pontapé. É que ele, depois, vai a rir para a administração de uma grande empresa ou de um grande banco nacionais, ou então, como já aconteceu com outros da mesma pandilha, vai de jacto para um qualquer importante – e excelentemente remunerado – lugar em Bruxelas.

3 – E qual é a reacção daquele senhor que está em Belém e é um dos principais – senão mesmo o primeiro – responsáveis pelo país estar à beira do abismo devido à sua governação na década de noventa? Nenhuma. Porque todos os dias está preocupado a fazer contas à vida, já que a sua reforma de dez mil euros, à qual se junta a de oitocentos euros da mulher, não lhe é suficiente para fazer face ao futuro.

4 – A Nissan desistiu de fabricar em Portugal os seus carros eléctricos, projecto sempre apresentado pelo governo de Pedro Passos Coelho – volto a escrever o nome por inteiro – como importantíssimo para o futuro do nosso país, um exemplo que devia ser seguido, disse-o publicamente, por outras multinacionais. Mas, então, as criminosas leis laborais agora aprovadas já não chegam?

5 – Bashar al-Assad, presidente da Síria, tem as mãos a escorrer sangue porque não quer largar o poder, em cuja cadeira está sentado há decadas. A União Europeia condenou os crimes deste déspota contra o povo sírio. A Rússia e a China não alinharam. Fiquei admirado? Não. Na China, a democracia é tanta que nem ao microscópio mais potente se a consegue ver. A Rússia é governada por um tal de Putin que foi Presidente da República, saiu deste cargo para ir directamente para Primeiro Ministro, e agora está a preparar-se para saltar de novo para Presidente da República. Ditadores a apoiar ditadores é uma maneira de se perpetuarem no poder.

Linha desportiva

1 – A vitória (1-3) do Sporting na Madeira, diante do Nacional, que lhe permite estar presente no Jamor, é enganadora para quem não tenha visto o jogo. Até mesmo com os nacionalistas com menos um jogador em campo durante grande parte dos segundos 45 minutos, devido à expulsão de Rondón, os leões não conseguiram controlar a partida. E, depois, aquela de Domingos Paciência substituir um avançado (Capel) por um defesa (Evaldo), primeiro, e outro avançado (Wolfswinkel) por um defesa (Carriço), a seguir, é mesmo pensar pequeno, pequenino. E quando se pensa assim...

2 – Desde que chegou ao Sporting, Rodriguez – e Jeffrén, já agora, também – tem estado quase sempre indisponível. Umas vezes, por estar lesionado, outras, por estar em gestão de esforço. E chamam a isto uma contratação a custo zero? Irra! Quem, afinal, assume a responsabilidade pela presença de Rodriguez no plantel leonino? Ah, pois é, estava a esquecer-me, neste país frequentemente a culpa morre solteira.

3 – O Tribunal Arbitral do Desporto, com morada na Suíça, precisou de um ano e meio para condenar Alberto Contador, por doping positivo através da ingestão de dembuterol, na Volta à França de 2010. O ciclista perde os títulos conquistados nessa edição do Tour e na Volta à Itália de 2011. E terá ainda de pagar uma multa de três milhões de euros. Pergunto: que embrulhada houve neste processo? Um ano e meio para haver uma decisão? Parece-me que não é só a justiça portuguesa que precisa de um tratamento de choque.

André Ricardo

 
Vai por aí um frio...


1 – Um agricultor algarvio declarou a um canal televisivo que as laranjas da região, devido à escassez de chuva, não tinham atingido o tamanho normal para a sua comercialização. Que não era a sua qualidade que estava em causa. E a rematar o seu lamento disse: «Os portugueses têm estômago de rico mas carteira de pobre.» E eu lembrei-me, de imediato, do Sporting. Está em falência técnica. Mas não se julgue que é só o Sporting que tem em risco o seu brilhante historial. Há por aí muito clube que não mostra a careca porque usa capachinho. Mas no dia em que este se estragar...

2 – Os campeonatos de Portugal e de Espanha parecem resolvidos ainda com muitas jornadas para o seu final. Só uma espécie de cataclismo não deixará que Benfica e Real Madrid festejem a conquista de mais um título. Já agora, por falar no Real Madrid, andei durante vários dias atento ao que os órgãos de comunicação social cá do burgo disseram a respeito do jogo da segunda mão da Taça do Rei, em Barcelona, entre os velhos e grandes rivais de Espanha. Muito ouvi e li sobre os erros do árbitro, quase todos eles em prejuízo, lamentou-se, da equipa comandada por José Mourinho. Não ouvi nem li uma palavra a respeito de uma entrada a ceifar, a meio da segunda parte, de Diarra sobre Messi, junto à área dos merengues, a justificar, pelo menos, a amostragem do cartão amarelo ao médio dos visitantes. E Diarra já tinha visto um nos primeiros 45 minutos. O facto de haver meia dúzia de portugueses no Real Madrid justifica a parcialidade?

3 – Vasco Graça Moura chegou ao CCB e proibiu o uso do novo Acordo Ortográfico. Não sei como é que o Governo vai descalçar esta bota. O que eu sei é que estou ao lado de Vasco Graça Moura. E, a propósito, repito o que já aqui deixei escrito: quanto mais nos baixamos, mais mostramos... O dito cujo, evidentemente.

4 – Um septuagenário australiano, proprietário da maior empresa de transportes colectivos do país, resolveu reformar-se e, para o efeito, vendeu a sua empresa. Retirou parte substancial do montante dessa venda e distribui-a pelos trabalhadores consoante o tempo que tinham ao serviço da empresa. Mais, no contrato de venda ficou estabelecido que o novo proprietário ficava obrigado a manter todos os postos de trabalho. Disse logo para mim próprio: «De certeza que este empresário aprendeu este exemplo com Belmiro de Azevedo.»

André Ricardo

 
Ao jeito de nota de rodapé


1 – O jogo em Olhão confirmou-o. O Sporting, que ainda não sabe o que é ganhar em 2012 e já disse prematuramente adeus ao título, está a precisar, com a urgência que a sua situação exige, de uma terapia de choque. Resta saber quem é que assina o termo de responsabilidade para esse indispensável tratamento.

2 – Eu não quero ser desmancha-prazeres, eu não quero ser uma voz contra um oceano de vozes, eu não quero ser acusado de ingrato, eu não quero... Eusébio completou 70 anos de vida. E a sua vida de futebolista foi extraordinária, fabulosa, só ao alcance dos predestinados para um desporto que suscita, muitas vezes de maneira incontrolável, paixões pelos quatro cantos do mundo. Eusébio, em declarações a um canal televisivo, contou uma história à jornalista. Já no final de carreira, quando representava o Beira-Mar, os aveirenses foram jogar à Luz, para o campeonato, Eusébio não queria defrontar o Benfica, disse-o ao treinador Manuel Oliveira, mas, a um quarto de hora do jogo começar mudou de ideias, quis jogar, saiu da cabina onde estava, foi à cabina onde estava a equipa do Benfica, e disse qualquer coisa como isto aos jogadores encarnados: «Vocês fiquem descansados que eu não vou marcar nenhum golo, mesmo que haja um penalty ou um livre perto da área contra vocês, eu recuso-me a marcá-los, outro que o faça, o que eu quero é não marcar nenhum golo ao Benfica.» Eusébio era um profissional de futebol, representava o Beira-Mar. Eu, sinceramente lhe digo, caro leitor, não sei o que pensar disto. E o caro leitor, sabe?

3 – José Luís Arnaut, coordenador da comissão que sugeriu restrições à inscrição de desportistas estrangeiros, uma medida que visaria proteger o jovem praticante desportivo português, declarou aos jornalistas que é preciso ter Figos e Ronaldos daqui a 40 ou 50 anos. De imediato foi criticado por Jorge Jesus e Vítor Pereira. Eu ficaria deveras admirado se os treinadores do Benfica e do FC Porto não o fizessem. Eles sabem bem o que estão a defender. Mas, a permanecer a legislação em vigor, temo que daqui a 40 ou 50 anos não se encontre nos nossos escalões principais um futebolista nascido em Portugal.

4 – O Real Madrid foi a Camp Nou dar um ar da sua graça. Esteve a perder por 2-0, soube reagir e chegou ao empate, resultado com que o jogo acabou. José Mourinho continua a não ganhar a Pep Guardiola, é verdade, mas devido à equipa que apresentou neste jogo da segunda mão da Taça do Rei, virada para o ataque, ao contrário da que apresentara no Santiago Bernabéu, utilizando três trincos, certamente aliviará as críticas que têm chovido de todo o lado sobre ele.

André Ricardo

 
Em casa onde não há pão...


1 – Estalou o verniz em Alvalade. Ou melhor, em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Ao Sporting só lhe faltava mesmo o triste episódio da grande penalidade no jogo com os reservistas do Moreirense. Meteu Bojinov, que não abdicou de ser ele a marcar o castigo máximo, meteu Matías Fernández, que é quem os marca, meteu Elias, que procurou apaziguar a discussão entre os seus dois companheiros, meteu Schaars, que também quis pôr água na fervura, e algum tempo depois de um jogo em que os leões voltaram a desiludir, meteu processo disciplinar a Bojinov, para já proibido de frequentar qualquer instalação do clube. Em Alvalade já há muita gente a andar sobre o fio da navalha. O futuro está complicado...

2 – O monstro voltou a aparecer no Santiago Bernabéu. O Real Madrid esteve a ganhar, através de um golo de Cristiano Ronaldo, embora com o guarda-redes Pinto a dar um frango, mas o Barcelona deu a volta ao marcador, ganhou, e vai para o jogo da segunda mão da Taça do Rei, em Camp Nou, em clara vantagem para seguir em frente na prova. Dos nove jogos em que estiveram ao lado um do outro, mas sentados em bancos diferentes, claro, Pep Guardiola ganhou cinco vezes, José Mourinho ganhou uma vez. Neste último jogo, o treinador português procurou primeiro, em termos tácticos e estratégicos, não deixar jogar o Barcelona, utilizando, para isso, quatro defesas e três médios de características defensivas, quando devia ter-se preocupado em pôr o Real Madrid a jogar para a frente. Resultado: a equipa catalã, a somar à sua vitória, teve 73 minutos de posse de bola. É obra!

3 – Ainda este Real Madrid-Barcelona. Pepe pisou intencionalmente a mão esquerda de Messi. Pepe já pediu publicamente desculpa, garantiu não ter havido da sua parte intenção de magoar aquele que foi uma vez mais considerado o melhor jogador do mundo. Pepe anda descontrolado, um descontrolo que dura há demasiado tempo, como se lhe tem visto desde que joga em Espanha. Mas atitudes condenáveis como esta também são consequência dos discursos belicistas dos treinadores. E José Mourinho, neste âmbito, é um pirómano. Foi assim em Portugal, foi assim em Inglaterra, foi assim em Itália... Só que, em Espanha, Pep Guardiola deixa-o sem resposta, antes pelo contrário, sempre que a oportunidade chega não deixa de o elogiar, assim como à equipa madridista. O fogo fica, desse modo, sem campo propício para alastrar.

4 – Ao assinar este último acordo de (des)concertação social, João Proença atraiçoou os trabalhadores portugueses. Não só os que estão filiados na UGT, mas todos! João Proença devia meditar bem nas declarações que Torres Couto, antigo presidente desta central sindical, fez a um canal televisivo. Arrasou-o. E eu pergunto: para ter agora esta atitude, qual a razão para João Proença ter decidido juntar-se à CGTP na realização da última greve geral?

André Ricardo

 
Eu até gostava de dizer bem...


1 – O Sporting entrou com o pé esquerdo em 2012. Depois do empate em Alvalade, com o FC Porto, para o campeonato, a seguir, frente ao Nacional, para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, empatou a duas bolas, obtendo a igualdade quando já ninguém acreditava que os leões viajassem para a Madeira com outro resultado que não fosse a derrota. Depois de alguma tempestade no começo da temporada, seguiu-se um período de bonança, mas agora, o mau tempo parece ter de novo regressado ao Sporting.

2 – Ainda o Sporting. A UEFA considerou que as imagens de acesso à cabina dos visitantes de Alvalade «são claramente contrárias aos valores de respeito e tolerância» que o organismo com morada em Nyon promove. E quer que o Sporting as retire. A Liga de Clubes e a Federação Portuguesa de Futebol continuam silenciosas sobre esta situação. E agora, se tomarem uma posição, será sempre considerada por arrasto. Mas, por cá, já nada me surpreende. No futebol... e fora dele.

3 – Há dias, Luís Filipe Vieira fez um discurso em que anunciou a adaptação do futebol do Benfica às novas realidades resultantes da crise económica e financeira que já colocou milhares e milhares de portugueses num nivel de vida em tudo semelhante ao do tempo do salazarismo. E a comprovar essa intenção da SAD benfiquista, eis que esta comprou o passe desportivo de Djaniny e tem Soriano, do Barcelona, na mira. Pelo menos... Tendo o plantel que tem, em quantidade e qualidade, o qual certamente custará os olhos da cara em vencimentos todos os meses, parece-me um tanto oco o discurso de Luís Filipe Vieira...

4 – Por decisão do Tribunal das Varas Cíveis do Porto, o futebol português poderá ficar sem o patrocínio de uma casa de apostas online. Dizem os entendidos do costume que esta decisão judicial poderá pôr em causa a realização da Taça da Liga e a existência de uma percentagem considerável de clubes de futebol profissional. Eu diria que, por causa da casmurrice de alguns e da defesa de interesses de outros tantos, há vários anos que o futebol português caminha em direcção ao abismo. E vai a cantar...

5 – Dupla para o Barcelona. Messi foi considerado o melhor jogador do mundo e Pep Guardiola foi considerado o melhor treinador do mundo. Justíssima, para mim, a distinção de ambos. Cristiano Ronaldo e José Mourinho não estiveram presentes à cerimónia da FIFA realizada no Palácio de Congressos de Zurique porque, justificou o treinador português, no dia seguinte o Real Madrid tinha jogo com o Málaga, para a Taça do Rei. Tivesse Mourinho a certeza de que ia ganhar e um jacto particular logo teria sido alugado para a curta viagem de Espanha à Suíça.

André Ricardo

 
E aí vamos para mais um ano...


1 – O futebol de qualidade andou arredio do clássico de Alvalade e o empate a branco não agradou nem ao Sporting nem ao FC Porto. Mas há um clube que ficou a rir-se com essa igualdade. Pelo menos até hoje. O Benfica, naturalmente. Agora, leões e dragões só desejam que a União de Leiria tire o sorriso às águias. Por enquanto não é proibido sonhar, embora se saiba que há sonhos que ficam sempre por realizar...

2 – A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol colocou três treinadores portugueses entre os melhores de 2011. Não deixa de ser, para Portugal, uma realidade deveras orgulhosa. José Mourinho viu apenas ficar-lhe à frente Pep Guardiola, enquanto André Villas Boas alcançou o quarto lugar e, surpresa das surpresas, Domingos Paciência foi o nono mais votado. Não tenho a certeza, aliás nos tempos que correm tenho cada vez mais dúvidas, mas era capaz de apostar que Jorge Jesus ficou com insónias...

3 – Desde tenra idade que ouço este ditado: «Pela boca morre o peixe.» O Sporting incomodou-se muito com a chamada gaiola do Estádio da Luz, mas, agora, descobriu-se que o acesso à cabina dos visitantes do Estádio Alvalade está decorada com fotografias consideradas como um apelo à violência e outras consideradas de teor nazi. Entretanto, o Sporting divulgou um comunicado a dizer que foi feita uma leitura parcial dessa decoração, porque esta contém fotos que nada têm a ver com manifestações contra o fair-play e de apelo ideológico. Eu acho que esta argumentação do Sporting não é mais do que a confirmação daquilo que pretende negar.

4 – O novo acordo ortográfico entrou oficialmente em vigor no primeiro dia deste mês. O primeiro dia de um ano que, pelo que tenho ouvido sobre medidas já tomadas e outras a tomar no âmbito da saúde, do desemprego, das leis laborais, dos impostos, dos cortes salariais e das pensões, das taxas moderadoras..., paro por aqui, para não me cansar, vem provar, é minha convicção, que o sentido de orientação da actual governação deste País é apenas de caracter ideológico. Mas, voltando ao novo acordo ortogáfico, o que eu quero dizer é o seguinte: se o responsável por este sítio mo permitir, vou continuar a escrever como sempre escrevi. É que, para citar outro adágio que ouço desde pequenino, «Quanto mais uma pessoa se baixa mais se lhe vê...» O dito cujo, pois claro.

André Ricardo

 
Termino o ano a ver...


Termino o ano a ver na televisão imagens de uma encenação colectiva de choro pela morte do «Querido Líder», manifestação de pesar democraticamente imposta três vezes por dia em 11 dias de luto, e fico sem saudades de 2011...

Termino o ano a ver os líderes políticos da Europa a saltarem de reunião em reunião, gastando nessas andanças rios de dinheiro, sem conseguirem, na prática, não em teoria, encontrar soluções que permitam salvar do desaparecimento o euro e a própria União Europeia, e fico sem saudades de 2011...

Termino o ano a ver na televisão o discurso do primeiro-ministro de Portugal a ameaçar um ano de 2012 de profundas alterações no País e hipocritamente a prometer aos portugueses que vão começar a ver uma luz ao fundo do túnel em 2013, e fico sem saudades de 2011...

Termino o ano a ver um Portugal de governantes de mão estendida lá fora e portugueses de mão estendida cá dentro, e fico sem saudades de 2011...

Termino o ano a ver o futebol português mais uma vez em plenas férias natalícias, como se vivesse na abastança e não em tempo de vacas tão magras que estão à beira de morrer, enquanto o futebol lá por fora cumpre o seu dever como produtor de espectáculo – até a famosíssima NBA começou o seu campeonato no dia de Natal –, e fico sem saudades de 2011...

Termino o ano a ver que não pode haver futuro se o presente for hipotecado...

André Ricardo

 
Esta semana não vou por aí...


Olá, caro leitor.

Esta semana poderia falar-lhe das facilidades com que o Benfica venceu (5-1) o Rio Ave, porque o Benfica, principalmente a nível nacional, tem um plantel em quantidade e qualidade que lhe permite resolver a maioria esmagadora dos problemas que lhe aparecem pela frente, mas não, não vou por aí...

Esta semana poderia falar-lhe das dificuldades encontradas pelo FC Porto para vencer (2-0) o Marítimo, realidade apenas a confirmar que este FC Porto desviou-se dos carris em que deslizou o FC Porto de anos passados mas ainda próximos, mas não, não vou por aí...

Esta semana poderia falar-lhe dos erros cometidos pelo Sporting no seu empate com a Académica (1-1), a maior percentagem deles devido às opções, no tocante à formação com a qual os leões começaram o jogo e utilizada durante toda a primeira parte, cenário que os estudantes muito agradeceram, certamente, mas não, não vou por aí...

Esta semana vou falar-lhe, fazendo a agulha para sair do futebol e entrar numa realidade que nos é muito dolorosa, da vergonha que sinto quando ouço um secretário de Estado dizer que os desempregados deste País devem sair da sua zona de conforto e emigrarem, e o primeiro-ministro de Portugal aconselhar os professores sem trabalho a irem para o estrangeiro, desejos desumanos que a terem concretização não deixariam de, por certo, envaidecer o Governo por, deste modo, conseguir aumentar o nosso nível de exportações.

Esta semana, para evitar ser hipócrita, vou desejar-lhe apenas que passe este Natal e o Ano de 2012 da melhor maneira que lhe for possível.

André Ricardo

 
Conversa de mão cheia


1 – O Sporting apresentou-se no Estádio Olímpico de Roma, frente à Lazio, com uma equipa na qual pontificava um número significativo de jogadores jovens, alguns formados na sua Academia. O Sporting perdeu por dois golos sem resposta mas não deixou de, perante este quadro, correr alguns riscos, um deles o de ser goleado numa competição europeia. Mas o Sporting também poderia, com esta sua opção técnica, ter causado uma interferência directa na definição do segundo lugar. A rodagem de jogadores, por muito boas intenções que a justifique, também deve ter em atenção determinadas circunstâncias. Ou não?

2 – Cinco treinadores portugueses – Domingos Paciência, Vítor Pereira, Leonardo Jardim, José Couceiro e Carlos Carvalhal – seguem para os oitavos-de-final da Liga Europa, aos quais se juntam José Mourinho, Jorge Jesus e André Villas Boas, na Liga dos Campeões. Desculpem lá qualquer coisinha mas isto é obra. Olá se é!

3 – Após o jogo com o Marítimo, para o campeonato, Jorge Jesus disse: «Que joguem assim contra os nossos adversários.» Jorge Jesus pôs em causa, mesmo que indirectamente, os profissionais do Marítimo. E a Jorge Jesus não assiste o direito de o fazer. Primeiro, por ser também um profissional de futebol; segundo, pela responsabilidade de trabalhar num clube com a grandeza do Benfica. Mas poderia apresentar ainda outras razões...

4 – Cristian Rodriguez teve, durante um treino, um desentendimento com Vítor Pereira. O dizes tu digo eu transpôs as paredes do FC Porto, chegou à comunicação social, o próprio jogador, aliás, confirmou esse desaguisado com o treinador. Noutros tempos, mas ainda recentes, nada disto sairia de um núcleo muito restrito do campeão nacional em exercício. Confirma-se: este FC Porto está mesmo diferente.

5 – Marcelo Rebelo de Sousa disse na TVI que os adeptos do Real Madrid estão divididos na simpatia e antipatia que nutrem por José Mourinho e Cristiano Ronaldo. É uma opinião que não me causa admiração. Não tenho a mania da perseguição mas não desconheço que os espanhóis (quase) sempre nos olharam por cima do ombro. E relativamente ao treinador português menos me surpreende este cenário merengue porque, independentemente do lugar que o clube ocupa na classificação, pode perder frente a qualquer emblema menos perante o do seu velho rival Barcelona. E no que diz respeito aos confrontos em solo espanhol entre José Mourinho e Pep Guardiola, bem se poderá dizer que o fantasma blaugrana persegue insistentemente aquele que trabalha no Santiago Bernabéu. Como se voltou a ver sábado passado...

André Ricardo

 
Em jeito de reflexão...


1 – Não olhemos o rosto de Jorge Jesus, não oiçamos as suas palavras, tenhamos apenas atenção para o que tem acontecido ao Benfica em vários jogos, independentemente da competição a que pertencem: na segunda parte, o Benfica desaparece, a ideia que fica é a de que para a cabina, ao intervalo, vai uma equipa, da cabina, para os segundos 45 minutos, sai outra, para pior. Rebobine-se o que se passou nos Barreiros, na última sexta-feira, para a Taça de Portugal...

2 – Que Jorge Jesus queira passar mensagens de confiança para os seus jogadores compreende-se, aliás só lhe fica bem esse propósito, mas há mensagens... e mensagens. Algumas delas, mesmo que saiam do fundo do coração, deviam, mesmo assim, ser revestidas de prudência. Essa de já falar em defrontar o Barcelona na final da Liga dos Campeões... Calma com o andor.

3 – Do Manchester United, no entanto, já Jorge Jesus se livrou. É, de momento, a grande surpresa desta Champions. O finalista vencido da edição da temporada passada foi a Basileia perder por 2-1 – chegava-lhe o empate para se apurar – e segue para a Liga Europa. É a factura por inesperada soberba com que a equipa comandada por Alex Ferguson começou a sua participação nesta fase de grupos.

4 – No futebol não há favas contadas. Mas, apesar desta feliz realidade, o Sporting tem o caminho desbravado para chegar ao Jamor e vencer a Taça de Portugal. E está, por esse facto, agradecido à Académica e ao Marítimo.

5 – O FC Porto foi para a Liga Europa. Precisava de ganhar ao Zenit e não ganhou. Jogou de sobra para somar três – e se os conseguisse até ficaria em primeiro no grupo – mas na hora da verdade faltou-lhe talento, e várias vezes discernimento, para bater um excelente Malafeev. Há realmente algo de estranho neste FC Porto... E não é (não foi) perceptível apenas na Liga dos Campeões.

6 – André Villas Boas conseguiu desapertar três furos no cinto que lhe aperta o pescoço com a vitória sobre o Valência e o apuramento para os oitavos-de-final da Champions. Mas Abramovich continua atento...

7 – Diante do BATE Borisov, Pep Guardiola deixou a maioria dos titulares em casa, tranquilamente sentados no sofá a ver o jogo pela televisão, devido ao encontro de sábado, com o Real Madrid, no Santiago Bernabéu, e o Barcelona ganhou por quatro golos sem resposta. O clube blaugrana está a mostrar ao mundo como se formam equipas com jogadores feitos em casa. Não é qualquer treinador que é ganhador assim.

André Ricardo

 
Um olhar de frente...


1 – O Sporting, frente ao FC Zurique, utilizou quatro jogadores – André Martins, Daniel Carriço, André Santos e Pereirinha – formados na sua Academia, enquanto mais dois — Carlos Chaby e João Carlos – estiveram (não foram utilizados) sentados no banco. Quantos mais clubes portugueses se orgulham de feito semelhante? É por este caminho que o futebol português pode salvar-se, pois quando não restarem nem dedos nem anéis...

2 – Não foi com a felicidade escondida atrás da porta, foi com a felicidade à vista de todos que o Sp. Braga ganhou ao Birmingham, com essa vitória conseguindo o visto para seguir em frente na Liga Europa. Mas o Sp. Braga tem de fazer mais alguma coisa do que até agora se lhe viu para continuar numa prova na qual foi finalista vencido na temporada passada.

3 – Infelizmente, muito ainda se falará do Benfica-Sporting de sábado passado. E digo infelizmente devido ao tema central e quase exclusivo das conversas e das notícias dizer respeito ao que se passou fora das quatro linhas, embora eu pense, ao contrário de muita gente, cuja opinião respeito, naturalmente, que neste derby – gosto mais de chamar-lhe clássico – não houve futebol de qualidade por aí além, ao invés da emoção, que houve, e muita. E ainda quanto ao jogo, quase (atenção, estou a escrever quase) ninguém fala de um puxão, com derrube, dentro da área do Benfica, na marcação de um canto, de Jardel a Onyewu, grande penalidade que o João Capela, os seus auxiliares e o 4.º árbitro deixaram passar em claro, como quase (atenção, estou a escrever quase) ninguém fala na falta sofrida por Cardozo que deu azo aos protestos que levaram à sua expulsão.

4 – A ambição, quando não põe em causa valores fundamentais à convivência humana, é compreensível, direi mesmo salutar. Mas há ambições... e ambições. Algumas – às vezes a confirmação já chega tarde – não são mais que passos maiores do que é permitido pelo tamanho das pernas. O ingresso de André Villas Boas no Chelsea parece ser um caso assim. O emblema londrino está longe de corresponder às expectativas criadas com a contratação do treinador português e agora, com a sua eliminação da Taça de Liga, em casa, diante do Liverpool (0-2), cobre-se de denso nevoeiro o futuro de quem, na última temporada, levou o FC Porto aos píncaros do futebol nacional e europeu. Entretanto, Roman Abramovich está a fazer contas. Até por já se ver, acima da linha de água, a barbatana dorsal de alguns tubarões...

5 – Está feito o sorteio para o Europeu de 2012. Portugal ficou no Grupo B, com a companhia de Alemanha, Holanda e Dinamarca. É um grupo muito forte? E qual, perante as selecções presentes na Polónia e na Ucrânia, o não é? Agora que o fado foi considerado Património Mundial, Portugal só tem de provar que tem unhas para tocar guitarra. O resto é conversa.

André Ricardo

 
Uma semana interessante


1 – Manhã cedinho. Esperava o autocarro quando registei, a meu lado, este precioso diálogo:
– Logo temos grande jogo.
– Temos jogo. Se será grande ou não, depois se verá.
– Até pareces o outro, prognósticos só no final do jogo.
– É que eu, também nestas coisas do futebol, já sou macaco de rabo pelado.
– Mas é uma equipa portuguesa que vai estar em Old Trafford, nas competições da UEFA não interessa qual é o emblema, temos de ser patriotas...
– Pois temos. Mas no resto também o devíamos ser.
– Lá estás tu. Não perdes uma oportunidade...
– Pois não, pois não. Quem perde oportunidades não é goleador, se não é goleador não faz a diferença.
– Irra, tão cedo e já não se pode conversar contigo.
– Depende do ângulo de visão...
– Mas não queres que o Benfica ganhe logo, é isso?
– A questão é eu querer que ganhe uma equipa portuguesa e eu não sei, deixa-me ver primeiro como vão elas apresentar-se em campo, qual delas, neste caso, o será mais. É que no Manchester United é muito provável que o Nani seja titular... E no Benfica? Qual será o jogador português que vai jogar de início? Estás a perceber onde quero chegar ou é preciso meter um explicador?
– Irra, o dia ainda mal começou e já estás para a desconversa.

2 – Mas o Benfica conseguiu o seu principal objectivo: já está apurado para fase seguinte da Liga dos Campeões. E tem praticamente assegurado outro objectivo seu, que é ficar em primeiro lugar no grupo... Ao invés, o Manchester United poderá pagar a factura de uma irresponsável sobranceria evidenciada logo na sua visita à Luz, pois se perder, dia 7 de Dezembro, frente ao Basileia – empatou em Old Trafford – dirá adeus, para surpresa geral, a uma competição em que foi finalista vencido na época passada.

3 – O FC Porto foi a Donetsk alcançar uma vitória que poucos esperariam acontecesse. Agora discutirá no Dragão o acesso aos oitavos de final da Champions. Quando tudo parecia perdido no nevoeiro de uma irregularidade exibicional e de resultados comprometedora, eis o FC Porto a depender apenas de si próprio para não sair de uma competição que dá milhões...

4 – A televisão é uma janela indiscreta. Uma pessoa está no relvado, concentrada no jogo, faz gestos de acordo com as suas reacções a tudo quanto se passa dentro das quatros linhas, umas vezes positivas, outra pelo contrário, há mesmo gestos comprometedores... mas que não deixam de corresponder à verdade. No Sporting-Sp. Braga, para a Taça de Portugal, Domingos Paciência, após um passe desacertado de Diego Capel, foi apanhado a fazer um gesto a poder traduzir-se nisto: «Se jogasses de cabeça levantada vias para onde melhor passar a bola.» E o treinador leonino, que certamente gostaria de não ter sido apanhado neste... apanhado, tem razão. Sempre ouvi dizer que o que distingue os grandes dos bons jogadores – fico-me por esta escala de valores – é o jogar de cabeça levantada e não com os olhos pregados no relvado.

5 – Coloco de lado a Champions e puxo para a minha frente a Liga portuguesa. Sábado há o Benfica-Sporting e domingo há o FC Porto-Sp. Braga, ou seja, no próximo fim-de-semana a Luz e o Dragão podem dizer alguma coisa de importante relativamente ao título. É só esperarmos mais um pouco...

André Ricardo

 
Eu acho que me percebem...


1 – Com o atraso de algumas semanas – atendendo ao valor dos seus jogadores –, Portugal fez o que lhe competia fazer ao apurar-se para a fase final do Campeonato da Europa, realização marcada para o Verão do próximo ano. Como os governantes portugueses respiraram de alívio...

2 – O melhor que se poderá dizer da exibição de Portugal neste segundo jogo do play-off, para além de um feito sempre importante – e raro – que é a marcação de meia dúzia de golos, foi a organização e coesão colectiva que demonstrou, claramente traduzida na noite tranquilíssima vivida por Rui Patrício durante estes 90 minutos no Estádio da Luz.

3 – Estádio da Luz que esteve longe de esgotar, contrariando-se assim o que alguns carregadores de fretes foram dando como certo antes e durante o dia do jogo. Não é que a Portugal não tivesse sido dado um apoio que em determinados momentos chegou mesmo a arrepiar, especialmente quando não sei quantas mil almas se puseram a cantar, por mais de uma vez, com a emoção a pincelar-lhes os rostos, a A Portuguesa, só que a nefasta crise em que os portugueses mergulharam já não dá – não digo para tudo, longe de mim alinhar nessa tão injusta como hipócrita ideia – para ir ao futebol quando se gostaria de ir.

4 – A Alemanha está de costas voltadas para Portugal. Até no futebol. O compatriota da senhora Angela Merkel que arbitrou este Portugal-Bósnia, não assinalou duas grandes penalidades a favor de Portugal e validou o segundo golo da Bósnia quando o seu marcador beneficiou de uma posição em fora de jogo. Se fosse pelo senhor Wolfgang Stark...

5 – Dá que pensar. Olá se dá. A realização do campeonato da NBA da temporada de 2011/2012 corre seríssimos riscos de não passar da imaginação de milhões e milhões que o vêem em todo o mundo. Patrões e trabalhadores – é assim que vejo as partes envolvidas no processo, não tenho dúvidas sobre isso – não chegaram a acordo quanto à divisão de lucros e os fazedores de um espectáculo desportivo com selo de categoria excepcional pedem desculpa por esta interrupção, convictos de que a NBA seguirá dentro de momentos...

André Ricardo

 
A coisa dá que pensar...


1 – «Acontecem coisas do outro mundo quando o Benfica vem jogar a Braga», afirmou Artur Moraes, referindo-se às interrupções do jogo na Pedreira devido à falta de luz eléctrica numa das torres do estádio, uma suspeita que surpreende vinda de quem vem, porque Artur Moraes representou os bracarenses na temporada passada. Enfim, Ele lá saberá do que está a falar. Mas parece-me que o excelente guarda-redes, que tão bem sabe defender a sua baliza, neste caso não soube defender a sua boca, digo mesmo que esta sua espécie de denúncia consubstanciou-se num autêntico... frango.

2 – O play-off de Portugal com a Bósnia está à distância de escassas horas e nada melhor para a Selecção Nacional que mais uma polémica bem ao estilo cá do burgo. Desta feita foi Bosingwa a desentender-se verbalmente com Paulo Bento. Acusação para aqui, acusação para acolá, por que sim, por que não, um é assim, outro é assado. Quem veio tentar pôr água na fervura em nome da Federação Portuguesa de Futebol foi mais uma vez Amândio de Carvalho. E, como lhe é costume, falou... e todos ficámos na mesma.

3 – O Benfica ganhou pela primeira vez a Taça CERS sem precisar de mostrar os seus dotes porque não houve jogo da final, por falta de comparência do Liceo da Corunha. Há afirmações oriundas de vários quadrantes, há justificações, há argumentações, há protestos, há apoios, há desapoios, mas o que me parece haver, neste patético imbróglio de contradições, é uma autêntica e profunda machadada no prestígio do hóquei em patins. E depois admiram-se de a modalidade não conseguir chegar aos Jogos Olímpicos...

4 – Julgo que não deixará de provocar uma certa inquietação entre os sportinguistas o facto de verem frequentemente vários jogadores lesionados. E alguns parecem até ter tirado passe, porque, volta não volta, aí estão eles entregues ao departamento clínico do clube, olhando para os outros que no relvado fazem das tripas coração para manter o clube na luta pelo título. Um quadro clínico assim tão movimentado dá que pensar. Pelo menos...

André Ricardo

 
Peço desculpa se incomodo...


1 – Vejamos os jogadores de nacionalidade portuguesa dos quatros representantes nacionais nas provas da UEFA que foram titulares nos jogos desta semana: FC Porto (3-Rolando, João Moutinho e Varela); Benfica (1-Luís Martins); Sporting (2-Pereirinha e Daniel Carriço); e Sp. Braga (3-Quim, Hugo Viana e Hélder Barbosa). Nove! Não dá para fazer uma equipa. Para onde caminha o futebol português?

2 – O Sporting não esteve na Roménia e, paradoxalmente, saiu de lá com Rinaudo, jogador muito influente nas manobras da equipa, seriamente lesionado. Domingos Paciência está outra vez a fazer contas de cabeça...

3 – Pinto da Costa sentiu-se indisposto no voo do FC Porto de Chipre para Portugal e houve mesmo necessidade de lhe ser prestada assistência pelo médico do clube. O presidente dos dragões terá acusado em demasia uma derrota com o APOEL que deixa o campeão nacional praticamente afastado do apuramento para a fase seguinte da Liga dos Campeões, com profundos reflexos negativos nas finanças do clube. Mais que nunca Pinto da Costa terá sentido, a mais de dez mil pés de altitude, os riscos por si corridos quando decidiu apostar na cópia de uma cópia do original. Não sei se me faço entender...

4 – Dispam-se as camisolas, deixem de lado a clubite, é justo reconhecer-se como valiosa a obra que Luís Filipe Vieira tem feito no Benfica ao longo dos seus oito anos como seu presidente. Dificilmente com um presidente com outras características, com outra maneira de ser e de estar no futebol, o Benfica seria o que é hoje, em todos os aspectos um emblema de cara lavada, sem pingo de lama em que outros nomes perigosamente o mergulharam.

5 – Esta gente enlouqueceu! O Governo prepara-se para suprimir 22 carreiras de autocarros da Carris e uma de eléctricos, reduzir o horário de funcionamento do Metro de Lisboa, diminuir a oferta da CP e acabar com as ligações marítimas de Lisboa para a Trafaria/Porto Brandão e para o Seixal. Parte significativa de portugueses pode ficar com seríssimas dificuldades para se transportar para os seus trabalhos. Repito: não é para se divertir e levar uma vida acima das suas possibilidades, como eles gostam de dizer, é para ir para o seu trabalho. Não há país que possa ser saudável se a governá-lo tiver gente assim tão doente...

André Ricardo

 
Do futebol mas não só...


1 – Há dias li uma entrevista de Fernando Santos, seleccionador da Grécia, a um jornal desportivo, na qual dizia, entre outras opiniões oportunas, como é seu timbre, que o Sporting comandado por Domingos Paciência poderá transformar-se num caso muito sério a curto prazo. Palavras não eram ditas e o Sporting degolava o galo de Barcelos com um expressivo 6-1, somando nona vitória consecutiva nas provas em que participa. Parece-me que a paciência de Domingos – e a sua competência também, obviamente – começa a dar frutos...

2 – A posição oficial do Sporting, no tocante a candidaturas à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, é a de apoiar a de Fernando Gomes, actual presidente da Liga de Clubes. Entretanto, Luís Duque foi dar uma mãozinha a Carlos Marta na cerimónia em que este autarca de Tondela apresentou a sua candidatura à presidência do mesmo organismo. De imediato houve quem vislumbrasse perigosas brechas entre dirigentes leoninos. Eu acho que Luís Duque tomou esta posição porque o seu amigo Fernando Seara – estiveram anos juntos a trabalhar na Câmara Municipal de Sintra pela coligação PSD/CDS – é candidato a presidente da Assembleia Geral na lista de Carlos Marta, dado o Benfica lhe ter tirado o tapete pouco depois de tornar pública a sua disponibilidade para render Gilberto Madail...

3 – A Federação Inglesa de Futebol anunciou a abertura de um processo de inquérito contra o Chelsea, devido ao comportamento dos seus jogadores e treinador no jogo de domingo com o Queens Park Rangers. André Villas Boas deve ter-se esquecido, por breves momentos, que já não estava a trabalhar em Portugal...

4 – Pedro Passos Coelho parece-me um daqueles treinadores que justifica o que não faz (bem) e o que faz (mal) com os outros, descartando, frequentemente, qualquer responsabilidade sua nas medidas gravosas decididas pelo governo. Agora veio dizer, com aquele ar de menino bem incapaz de partir um prato, que os sacrifícios impostos aos portugueses talvez não fiquem por aqui caso haja um agravamento da conjuntura internacional. Ou seja, por este andar não tarda nada estamos apenas a pão e água. Há treinador que por muito menos, mesmo muito menos, já tinha sido posto na rua por uma chicotada psicológica...

5 – Kadhafi, o ditador, foi morto como se fosse um cão raivoso. Kadhafi, o ditador, foi sepultado no deserto, numa madrugada, longe dos olhares indiscretos do mundo. Kadhafi, o ditador que tinha agora os políticos de pacotilha autoproclamados democráticos contra ele mas foi recebido com pompa e circunstância na Cimeira de Lisboa, realizada em Outubro de 2007, para reuniões de Chefes de Estado e de Governo. Se a hipocrisia queimasse havia por esse mundo fora muita gente que era já só cinza...

André Ricardo

 
Cresce a expectativa em saber...


1 – O jogo com o APOEL, no Estádio do Dragão, confirmou esta ideia: as saídas de André Villas Boas e Falcao deixaram a casa portista a abanar. Cresce a expectativa em saber como é que ela se manterá de pé se os abanões se mantiverem, mesmo que não aumentem de volume...

2 – A propósito: André Villas Boas vai subir ao palco do Coliseu da Invicta para receber o Dragão de Ouro. É uma justíssima atribuição do FC Porto. Cresce a expectativa em saber como é que a plateia portista vai reagir a esta distinção do agora treinador do Chelsea e sobre o conteúdo do discurso de agradecimento do treinador que deu quatro títulos ao FC Porto na época transacta...

3 – O Benfica foi a Basileia dar mais uma demonstração da qualidade do seu plantel e praticamente garantiu o apuramento nesta fase de grupos da Liga dos Campeões. Cresce a expectativa em saber se o Benfica conseguirá ter força física e psicológica para manter este nível exibicional. Se o conseguir, os seus directos adversários, tanto a nível interno como externo, que se cuidem...

4 – Liga Europa. Ao vencer o Vaslui por 2-0, em Alvalade, o Sporting somou oitava vitória consecutiva e já está apurado para os 16 avos-de-final. Cresce a expectativa em saber até onde irá este Sporting de Domingos Paciência, tanto cá dentro como lá fora. Já o Sp. Braga, ao empatar a uma bola com o Maribor, em casa deste, comprometeu o seu apuramento numa prova em que na época passada foi brilhante finalista. Cresce a expectativa em saber quanto tempo mais precisa Leonardo para pôr o seu jardim a brilhar...

5 – O Sporting reclamou e a Comissão de Análise da Comissão de Arbitragem da Liga deu-lhe razão baixando de 3,4 (Satisfatório) para 2,3 (Muito insatisfatório) o trabalho do assistente José Cardinal no jogo em Alvalade, com o Olhanense (1-1), referente à primeira jornada do campeonato, por ter anulado, por fora de jogo inexistente, um golo de Hélder Postiga. Cresce a expectativa em saber qual a reacção dos responsáveis do Sporting a esta decisão, porque, até agora, a família leonina só ouviu... silêncio.

6 – Gilberto Madail fica para sempre ligado a um dos períodos mais brilhantes da Selecção Nacional. Não há quem lhe possa roubar esse mérito. Só que Gilberto Madail também parece apostado em ficar directamente ligado a incontornável predisposição para dizer disparates, a maioria deles também marcados por um sentido de inoportunidade difícil de igualar. Por exemplo, antes do Dinamarca-Portugal declarou vontade em fazer os possíveis para o regresso de Ricardo Carvalho à Selecção Nacional, disponibilidade entendida por quem tem dois dedos de testa como clara desautorização de Paulo Bento. Deu no que deu... Cresce a expectativa em saber se o ainda presidente da FPF divulgará, durante o curto espaço de tempo que lhe resta no cargo, mais alguma opinião susceptível de colocar em causa os interesses do futebol português...

André Ricardo

 
A verdade é como o azeite...


1 – Parken Stadium, em Copenhaga, Dinamarca. Poucos minutos depois das nove horas da noite, após ter colocado a sua assinatura numa exibição decepcionante, diria mesmo vergonhosa, Portugal deu um valentíssimo pontapé na possibilidade de se apurar directamente para a fase final do Campeonato da Europa do próximo ano. Terminado o jogo em que a Selecção Nacional correu sérios riscos de regressar a casa com pesada derrota na sua bagagem, Paulo Bento, ar seráfico, afirmou: «A crença e a motivação são as mesmas.»

2 – Parece-me pertinente perguntar a Paulo Bento: Qual crença? Qual motivação? As que (não) se viram a Portugal no Dragão, frente à Islândia, e no Parken Stadium, diante da Dinamarca? Se é a essas que o seleccionador nacional se refere, então o melhor é tirar o cavalinho da chuva, ele e todos os portugueses, porque não é com uma selecção assim, composta por jogadores desinspirados, amorfos, submissos, trapalhões e apenas preocupados em jogar para si, o que é diametralmente oposto à apresentação de uma equipa com indispensável espírito colectivo, como fez a Dinamarca, que Portugal vai conseguir o bilhete no play-off para viajar rumo à Polónia e à Ucrânia.

3 – Aliás, o resultado deste Dinamarca-Portugal apenas surpreenderá os mais distraídos, porque uma selecção que teve, a jogar em casa, o impensável talento para sofrer três golos da Islândia, feito que passará a constar como histórico no currículo do futebol islandês, não podia estar animicamente preparada para sair do jogo diante dos dinamarqueses com outro resultado que não fosse a derrota. E vá lá, vá lá, o desaire não assumiu contornos mais escandalosos porque Rui Patrício, com três brilhantes defesas, evitou outros tantos golos.

4 – Sejamos francos, objectivos e, já agora, honestos nas nossas análises. À excepção de Rui Patrício, que outro jogador, em Copenhaga, se mostrou à altura das responsabilidades – mínimas – exigidas a quem veste o equipamento da representação máxima do País? Um rotundo e sonoro zero. E, para não variar, se não tem marcado um excelente golo – quanto à execução – neste jogo, na conversão de um livre, já em pleno desmanchar da feira, de Cristiano Ronaldo, como aliás se tem verificado em tantos outros jogos na Selecção Nacional, apenas o seu nome em campo. Uma desilusão.

5 – E não venham agora as carpideiras do costume procurar justificar esta desastrosa derrota com as ausências de Pepe, Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, Danny e Hugo Almeida. A paupérrima imagem de Portugal no Parken Stadium, no que à qualidade do seu futebol diz respeito, não é nenhuma novidade, desde há muito que anda a trilhar um caminho sem eira nem beira, desacerto exibicional oportunisticamente camuflado por ter obtido cinco vitórias seguidas.

6 – Julgo ser aconselhável que todos os responsáveis pela Selecção Nacional façam profunda reflexão até à realização dos dois jogos do play-off, em Novembro. Eu sei que já não há muito tempo pela frente, mas, mesmo assim, há tempo suficiente para, pelo menos, tentar mudar de caminho. Só é preciso coragem para o acto.

7 – A Selecção Nacional de Sub-21 foi perder fora frente à Rússia, em jogo de qualificação para o Campeonato da Europa da categoria. Alguém ficará surpreendido se Portugal não chegar à fase final? Eis o reflexo, preciso e conciso, das Ligas nacionais – já para não falar do que se passa nas camadas jovens – terem a maioria esmagadora das suas equipas compostas, quase na sua totalidade, por jogadores estrangeiros. Eles, os responsáveis por este cenário que compromete, perigosamente, o futuro do futebol português, continuam sentados, impávidos e serenos, nos seus cadeirões assobiando para o lado.

8 – Está visto. O futebol português parece não poder viver sem casos que de certa maneira nos fazem lembrar o terceiro mundo. O túnel da Luz, pois... Agora, o Ministério Público acusa Hulk de um crime de ofensa à integridade física de dois seguranças, aquando do Benfica-FC Porto de 20 de Dezembro de 2009, arriscando o avançado o cumprimento de uma pena de prisão efectiva até três anos se for condenado em julgamento. Este é o nome mais sonante. Porque os de Sapunaru, Fucile, Cristian Rodriguez e Helton estão igualmente debaixo de olho do DIAP (Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa).
Hulk e Sapunaru foram castigados pela justiça desportiva e o FC Porto nunca mais se encontrou como equipa, tendo, também por esse facto, perdido o campeonato de 2009/2010. E, agora, como vai ser? O melhor é esperar. Mas sentado, como fez o outro que esperava por Godot.
Questionado sobre estas notícias entretanto postas a circular, Pinto da Costa, com a ironia que ainda lhe é reconhecida, afirmou lacón (...)

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A vida é fonte de incertezas


1 – Quem pela segunda vez se senta na cadeira em Belém afirmou um dia que raramente tinha dúvidas e nunca se enganava, ou que raramente se enganava e nunca tinha dúvidas, o que vai dar no mesmo. Mas a vida não é assim, não é só feita de certezas. Todos – à excepção desse senhor – o sabemos. E no futebol, que faz parte integrante da vida, também assim é. Todos – talvez com a excepção desse senhor – o sabemos.

Por isso, vejamos: a U. Leiria contratou o terceiro treinador para esta época. Manuel Cajuda, a terceira aposta de João Bartolomeu, na sua estreia à frente dos leirienses ganhou ao Sp. Braga, que uma vez parece que sim, outras parece que não, ou seja, fica à evidência que Leonardo Jardim ainda procura o caminho certo para os bracarenses...

Vejamos ainda: o FC Porto, que se apresentou em Coimbra levando no seu rasto resultados e exibições negativas que deixaram no ar a ideia de iminente colapso psicológico, olhou a Académica – a fazer bom campeonato – olhos nos olhos e disse-lhe, frontalmente, «nós é que somos os campeões, quem vai tocar a música para este baile somos nós», e regressou ao Dragão com uma vitória por três golos sem resposta. Êxito que, como se percebe, deixou desiludidos benfiquistas e sportinguistas, pois esfregavam as mãos perante a possibilidade de Helton e companhia somarem mais um desaire...

Também vejamos: não escassearam previsões fúnebres para o Sporting face ao seu sub-rendimento no começo do campeonato. Que já estava arrumado, ia ficar outra vez a dezenas de pontos do primeiro, e aos dirigentes leoninos lhes faltaria paciência para manter Domingos Paciência na liderança da equipa técnica do futebol profissional, e num ápice, num brevíssimo abrir e fechar de olhos o Sporting ganhou à Lazio cumprindo 40 minutos (é obra!) com menos um jogador em campo, devido à expulsão de Insúa, e ganhou ao V. Guimarães cumprindo 68 minutos (é obra!) com menos um jogador em campo, devido à expulsão de Rinaudo. Quem, para aí há três semanas, não mais, acreditava que o Sporting conseguiria uma proeza assim?

2 – Já que toquei no assunto, digo que Bruno Paixão ajuizou com acerto o lance em que decidiu expulsar Rinaudo. Estranho, porém, o facto de os árbitros não terem critério disciplinar uniforme, porque já vi lances iguais, ou piores, em que os prevaricadores são admoestados apenas com o cartão amarelo, outras vezes nem com este. Dependerá da camisola que vestem? Uma dúvida preocupante...

3 – Invocando «incontornáveis razões de ordem pessoal», as quais «inclusivamente o impedem de sair da Rússia nos próximos dias», Danny informou a Federação Portuguesa de Futebol da sua impossibilidade para fazer parte do lote de jogadores convocados para os compromissos com a Islândia e a Dinamarca, ambos da fase de apuramento do Europeu do próximo ano. Danny está em excelente forma, como se constatou no jogo do Zenit com o FC Porto, e este seu bom momento poderia ter vincada influência no seleccionado português para somar os pontos que lhe assegurem imediata presença na Polónia e na Ucrânia. Que mais estará para acontecer a Paulo Bento?

André Ricardo

 
Em Alvalade houve coração de leão


1 – Das presenças portuguesas nas competições da UEFA destaca-se, naturalmente tendo em atenção o valor e prestígio do adversário, a vitória do Sporting, em Alvalade, frente à Lazio de Roma. Um triunfo que mais rasgados elogios merece uma vez que os leões, fazendo das tripas coração através de uma solidariedade só ao alcance de grandes equipas, jogaram praticamente toda a segunda parte com menos um jogador devido à expulsão (acumulação de amarelos) do defesa esquerdo Insúa.

2 – O FC Porto não está bem. Pelos vistos, as saídas de André Villas Boas e de Falcao deixaram marcas demasiado negativas no Dragão. Eu já tinha escrito aqui que esta época o FC Porto veria ameaçado o seu natural desejo de revalidar o título de campeão nacional e de voltar a fazer figura de proa na UEFA. Esta minha ideia parece estar a confirmar-se. Ou Vítor Pereira mostra talento para acabar com os fantasmas que desorientam e intimidam a casa portista, ou Pinto da Costa, contra sua vontade, poderá ter de assumir decisões que no mínimo lhe vão roubar o sono. Aliás, estranhou-se demasiado a sua ausência em São Petersburgo. Algum sinal de mudanças?

3 – A época da U. Leiria começou com Pedro Caixinha, seguiu-se-lhe Vítor Pontes, agora é a vez de Manuel Cajuda. E apenas estão realizadas seis jornadas. Desconheço se haverá caso assim no futebol de outras paragens, aliás até estou capaz de correr o risco de afirmar que se trata de uma inovação no género. Quando as coisas não correm de feição, já se sabe, ao treinador é apontada a porta da rua, algumas vezes com hipócritas palmadinhas nas costas, quem decide contratá-los mantém-se intocável no desempenho das suas funções. As responsabilidades são sempre dos outros... Mas também não há quem, de forma frontal, lhas exijam.

4 – Escrevi aqui oportunamente que o Manchester United, ao apresentar na Luz uma equipa de segunda no jogo com o Benfica, na Luz, para a fase de grupos desta edição da Liga dos Campeões, poderia correr sérios de, com essa sua sobranceria, não ser apurado para a fase seguinte da prova. Agora, o empate em casa – esteve a perder por 2-3 até pertíssimo do final – frente ao Basileia fez soar a campainha de alarme na equipa comandada por Alex Ferguson. Às vezes, melhor, não poucas vezes, o feitiço volta-se contra o feiticeiro. É dos livros...

André Ricardo

 
Os is precisam de pontos...


1 – Fernando Gomes, presidente da Liga de Clubes, anunciou a sua candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. E tudo indica que vai ganhar. Ou seja, depois do champô que é dois em um, vamos ter um em dois na cúpula do dirigismo do futebol nacional. Não existe, em termos estatutários, incompatibilidade para a disponibilidade de Fernando Gomes se transformar em realidade, tão pouco pretendo colocar em causa, seja de que maneira for, a sua competência, mas parece-me de todo inconveniente esta elasticidade para acumulação de poderes...

2 – A Liga de Clubes nomeou Jorge Sousa para dirigir o FC Porto-Benfica. O facto de se tratar de um árbitro do Porto deixou, desde logo, muitos benfiquistas com a pulga atrás da orelha. Mas não há, obviamente, motivo para essa desconfiança. Trata, apenas, de mera medida (poupança) económica do organismo liderado por Fernando Gomes, pois com esta nomeação é significativo o corte de despesas na rubrica quilómetros...

3 – Por falar em arbitragem. Vi – pela televisão, claro – o Valência-Barcelona, e vi, assim, entre outros erros menos graves, duas faltas para grandes penalidades (derrubes de Messi) na área da equipa da casa que o árbitro não assinalou. Como se vê, não é só em Portugal...

4 – O Sporting alienou uma percentagem dos passes desportivos de Elias, Wolfswinkel, Jeffren, Capel, Carrilo e Rinaudo com um Fundo chamado ‘Sporting Portugal Fund’. Não sei se, com estas medidas de fundo, o Sporting não corre sério risco de ir ao fundo...

5 – Depois das agressões a um jogador do Levante – manifestação de desorientação que começa a ser habitual na sua carreira no Real Madrid –, Pepe prometeu mudar de atitude dentro de campo. É bom que o faça. Apesar de, quanto a mim, mais importante é que não houvesse necessidade de o fazer.

André Ricardo

 
Não chamemos
cinzento ao preto



1 – Não vou classificá-lo como soberba, classifico-o, porém, como hipocrisia. Depois de ter considerado, escassas horas antes de o jogo começar, que o Benfica tem uma grande equipa, o senhor Alex Ferguson apresentou um onze reservista no Estádio da Luz. Esteve à beirinha de regressar a Manchester com zero pontos na bagagem. O que não deixaria de constituir um risco para assegurar o apuramento nesta fase de grupos da Liga dos Campeões. Mesmo assim, talvez venha, neste particular, a suar mais do que certamente deseja face aos dois pontos deixados no reduto benfiquista.

2 – O Sporting e o Sp. Braga começaram da melhor maneira a fase de grupos da Liga Europa. Ganhar fora representa um passo importantíssimo para conseguir o apuramento. Os bracarenses mostraram em Birmingham que já sabem lidar muito bem com as pressões a nível europeu e os leões confirmaram em Zurique que precisam de subir substancialmente a qualidade do seu futebol. Mas como os três pontos era o mais importante, sempre dá para aumentar os índices de confiança para os lados de Alvalade...

3 – Fernando Gomes, presidente da Liga de Clubes, está a ponderar sobre o convite que lhe foi endereçado para assumir a candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Sou contra a concentração de poderes, seja a que nível for da sociedade, e neste caso concreto continuo a defender que o aconselhável, direi mesmo desejável, é: cada macaco no seu galho. Até pelo facto de trabalho, e muito, não faltar em cada um destes cargos. E responsabilidades também não.

André Ricardo

 
Eu vi em directo mas julguei que era ficção


Hoje, eu não vou falar da saída de Pedro Caixinha da U. Leiria, após a derrota (normal) com o FC Porto, até porque, é sabido no futebol, quando o fracasso bate à porta, não há interesse em apurar onde moram as verdadeiras responsabilidades, a corda parte sempre pelo lado mais fraco...

Hoje, eu não vou falar da irresponsável e patética resposta que Ricardo Carvalho deu a Paulo Bento, mesmo tendo-se confirmado aquilo que eu já aqui escrevi, ou seja, que Ricardo Carvalho, enquanto Paulo Bento se mantiver no cargo que presentemente ocupa, não joga mais na Selecção Nacional...

Hoje, eu não vou falar da fraca qualidade futebolística que a Selecção Nacional continua a evidenciar, embora tenha consciência de que, mais importante que a exibição era ganhar ao Chipre, aliás pelo maior número de golos possível...

Hoje, eu não vou falar da inconveniência do almoço – não me esqueço que há quem diga que não há almoços de borla – entre Luís Filipe Vieira e Godinho Lopes, independentemente da agenda que o justificou, mas sei que, com Fernando Seara e Filipe Soares Franco disponíveis para assumirem a candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Futebol, Pinto da Costa deve estar a rir-se do dilema reinante entre os presidentes do Benfica e do Sporting...

Hoje, eu não vou falar do comportamento da Selecção Nacional de basquetebol no Eurobasket porque, apesar deste ou daquele êxito de Portugal noutras modalidades, quase exclusivamente a título individual, os portugueses foram deliberadamente acostumados a ter olhos apenas para o futebol...

Hoje, eu não vou falar de outros temas da área desportiva porque, para mim, não sendo, neste âmbito, uma semana sabática, encontro-me, porém, a fazer uma reflexão, com a profundidade que me for possível, sobre os atentados às Torres Gémeas de Nova Iorque, que eu, há dez anos, vi, incrédulo, em directo pela televisão, acto terrorista que originou mudança radical do mundo mudando radicalmente a nossa maneira de viver, a todos os níveis...

André Ricardo

 
 
 
 
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